A coisa passou-se há cerca de 69 anos. Na ilha do Faial, Açores, entre 27 de setembro e 24 de outubro de 1958, verificou-se uma erupção violenta, de natureza vulcânica, que, naturalmente atemorizou a população da ilha. Foi na freguesia do Capelo e as erupções foram inicialmente violentas.

Nesse ano de 1957 um navio da Armada Portuguesa, o “Gonçalo Velho”, encontrava-se em viagem de instrução de cadetes da Escola Naval (Curso D. Duarte de Almeida) passando pelo porto de Santa Cruz, na ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias. Por ordens recebidas a bordo vindas do Comando Naval, o navio desviou a sua rota e dirigiu-se para ilha do Faial para prestar algum socorro que viesse a ser necessário.
A população estava, naturalmente, em sobressalto. Embora o vulcão se encontrasse na ponta oeste da ilha, as poeiras vulcânicas já tinham coberto grande parte de toda essa zona o que tornava a deslocação até perto da cratera do vulcão relativamente morosa e difícil. No entanto, muitos cadetes do navio fizeram esse trajeto e aproximaram-se da cratera para assistir a um espetáculo que talvez, para eles, não se repetisse.

Talvez um bocado de insensatez mas que terá valido a pena.
Percebeu-se que a intensidade das erupções ia diminuindo e a guarnição voltou a embarcar e prosseguir a sua viagem de instrução.
A lava acabou por formar uma pequena ilhota no mar e, mais tarde, veio a ser construído um Farol na Ponta dos Capelinhos.
O local é, atualmente, um destino turístico com um museu evocativo das épocas das erupções. Na realidade a Horta é a capital da ilha do Faial mas a fama do vulcão deu mais nome à terra do que ao nome da ilha.
As viagens turísticas continuam, passados todos estes anos, mas ainda há gente viva que esteve junto ao acontecimento.
Como talvez saibas, eu fui professor no então Liceu da Horta no ano lectivo de 1959-1960. As memórias da erupção dos finais 57 estavam ainda muito vivas, ouvi testemunhos dos meus alunos, dos colegas, que me impressionaram, sobretudo pela descrição dos dias que antecederam a erupção e em que os abalos de terra eram constantes, e porque se temia que a erupção se desse pela Caldeira, o vulcão extinto que formou a ilha. Como é óbvio não deixei de visitar por algumas vezes o local, bastante de longe porque a temperatura da superfície era ainda muito elevada. Regressei à Horta em 1968, de novo como professor de liceu, onde tomei posse como professor efectivo: 10 anos depois o tempo encarregar-se de esbater memórias, mas nunca de as fazer desaparecer. Recentemente tive ocasião de visitar o “Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos”, um magnifico empreendimento que merece todos os elogios. Achei curioso que tivesses conheci do Faial antes de mim…
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Recordaçãoes, que jamais esquecem ! Um dos maiores mistérios do nosso Universo, que pisamos todos os dias, sem nos apercebermos do quanto ele nos assiste… !
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