O Diário Secreto do Donald

“A rapaziada anda toda entretida com os meus tweets que, evidentemente, nem sou eu que escrevo e que, ainda por cima, não dão espaço para redigir nada de jeito. A minha amiga, com ar de patroa de prostíbulo holandês, é que, durante a noite, nos nossos intervalos, vai escrevendo aquelas bacoradas que às vezes, segundo os jornais dizem, até têm erros de ortografia. Mas como não tenho jeito para a escrita (já despedi o gajo dos discursos e tenho a impressão que o que lá está também não vai longe) a Kellyanne, que tem a vantagem de não usar roupa interior, sempre vai escrevendo umas coisas giras e começou agora a fazer o meu diário secreto. Assim como o do Hitler, que era um rapaz inteligente e para quem a História foi muito injusta. Outro dia apanharam a Kellyanne sentada no sofá da Sala Oval e falaram logo mal. Tive uma sorte do caraças porque uns minutos antes a posição dela era muito pior…
Agora andam com essa teoria da Covenção Ambiental de Paris que, ainda por cima, foi assinada por todos os países do mundo com as exceções da Síria e da Nicarágua. Até o parvalhão do meu amigo da Coreia do Norte assinou aquilo… Por isso é que o gajo dá aquelas gargalhadas com os dentes muito brancos e toda a gente lhe chama Nosso Lider. Tenho a impressão que ele me anda a gozar, mas ainda hei-de conseguir que os americanos me chamem também de Grande Lider. E, vendo bem, que é que os sírios têm para poluir? Dantes ainda grelhavam umas ratazanas mas agora nem isso: morreram todas. A Nicarágua, por amor de Deus , só têm árvores e só mudam as cuecas duas vezes por semana. É como eu, mas as minhas são de seda. A lingerie da Melanie (que cada vez fala menos) é só usada uma vez e é reciclada em clubes de “strip” lá para os estados interiores. A Ivanka não sei bem, mas aquele marido dela já me anda a irritar. Para já, tem que engordar para ficar mais parecido com o Capone e ainda por cima anda a dizer que não tem nada a ver com o Putin. Dei-lhe um tacho do caraças para isto. É claro que o Putin, no meio dumas graçolas, veio dizer que continua com a Europa nessa coisa da poluição. Era só o que me faltava… Ainda tenho aquelas faturas todas pendentes…
Tenho ido ao Mar-a-Lago, na Florida, e a temperatura está na mesma, deliciosa.
Deu-me um trabalhão comprar aquele conjunto Memorial à herdeira da Marjorie Merriwater Post mas agora vão saber o que é bom para a tosse. Na próxima passagem do ano, os 700 convidados exclusivos já vão pagar mais que os 3M$ por semana.
Consegui receber lá o primeiro político mundial que foi na conversa, o 1º Ministro japonês Shinzo Abe, em Fevereiro deste ano, mas parece que o gajo ficou estarrecido e não volta lá mais. Eram talheres a mais para as mariscadas que mandei servir. Ainda lá foram, em Março, os pais da Melanie, mas para quem é refugiado da Europa pobre, aquilo parece um sonho. É claro que a filha só come a dieta, que custa uma fortuna ao erário, mas que a vai mantendo bem nas cerimónias públicas. Não percebeu a piada do Papa mas eu disfarcei… E da Segurança que contratei nem vos falo. Se os americanos soubessem quanto andam a pagar, era o fim da pica!
É claro que a comunicação social e o filho da mãe do Al Gore vão fazendo aqueles “photoshops” e os filmes de “fake news” sobre aquela coisa dos degelos no Polo Norte. A ex-governadora do Alasca, a Sarah Pallin, lá me vai enviando documentação contrária, com os icebergues cada vez maiores, mas o estupor do Steve Bannon diz para eu não acreditar. Já corri com ele e já despedi uma porrada de gajos que andavam por lá a ganhar uns dinheirões e só me atrasavam a vida. O rapaz da Turquia, o Erdogan, é que é capaz de ter razão: esse prende-os todos, mas aqui é mais difícal. Há os gajos do Senado, os do FBI, os da CIA, aquela malta do Congresso que estão cada vez mais refilões. Tenho que os despedir a todos.
Francamente não percebo a preocupação do calor. Agora na Arábia Saudita estive sempre com os 22 graus do ar condocionado e assinei tudo o que eles precisavam. Foi uma dúzia de bons contratos para os meus amigos fabricantes de armas e ambas as partes aprovaram. A coleção de moda da Ivanka foi toda vendida em exclusivo e, isso, parece que não, é uma enorme vantagem para as costureiras indianas.
Só aqueles gajos do Irão (que, ainda por cima, dizem que são moderados) é que parece que andam a querer fazer a vida negra naquela zona. Tribos esquisitas que parece que não se entendem. Deixá-los, qualquer dia acabam!
Francamente, o que mais me chateou foi aquela arrancada do puto francês, o Macron, em direção a mim e, de repente, desvia-se e foi dar um beijinho à Merkel. Fui o terceiro a quem ele apertou a mão. Lá tentei apertar com força mas aquela ficou-me atravessada. Tenho a impressão que aquele gajo me vai dar um trabalhão. E ainda por cima a Merkel parece que gosta do gajo.
De repente, aparece o chinês que diz que está aliado com a Europa e que não faz mal a gente sair do acordo porque ele vai ocupar o nosso lugar. Mais outro a querer dar nas vistas. Só que tenho que ter cuidado com estes gajos porque eles têm muita massa nossa e são fortes como o caraças. A Theresa May também já não sabe o que há-de fazer com o Brexit. E eu, aqui para nós, também não. Arranjaram para ali um sarilho que ainda me vai dar muita dor de cabeça, se aguentar por aqui muito mais tempo.
Soube também que umas cabeleireiras americanas e outras de Portugal, dos arredores de Santa Iria, ainda não descobriram a cor exata do meu penteado e muito menos a maneira como o penteio. O gajo da televisão americana ainda tentou imitar mas não se saiu bem. Passaram a chamar-me o Tijolo Donald. Tenho que ver este assunto dos direitos de imagem com a Disney.
Entretanto vou continuar a dar força às minas que por cá temos e ao petróleo que também é bem bom. Que se lixem as energias alternativas, se acharem que há muito fumo na rua, ponham máscaras. Como fazem na China, embora eles as estejam a usar em menor quantidade. Mas vou falar com a Ivanka para ela lançar um novo estilo de máscaras. Só as máscaras e mais nada daí para baixo. É só uma ideia…
Os “red collars” do interior dos Estados Unidos estão todos comigo e serão sempre os primeiros a patrocinar estas novas e brilhantes ideias da civilização.”

Meus caros amigos e leitores ocasionais deste blogue: peço desculpa por ter enveredado pelos caminhos do humor. Às vezes não há outra forma de podermos lidar com os loucos que invadem a terra, esta terra que é nossa. Se os americanos, ao votarem, tivessem apenas posto um louco a tomar conte deles, ainda era o menos. Mas o louco vai afetar todas as nossas vidas e as instituições, seriamente organizadas, têm dificuldades imensas em lidar com esta gente. Há o louco do outro lado, o da Coreia do Norte. E agora, como será, quando há dois loucos com poderes e em liberdade? Sim, existe a Democracia, na qual continuo a acreditar sem reservas. Os inúmeros artigos de opinião de consagrados intelectuais das nossas praças (inclusivamente os das grandes empresas americanas que tentaram dissuadir o louco) ainda não conseguiram trazê-lo à realidade dos factos e da ciência. Coisa que ele despreza.
Talvez o humor, à escala mundial, consiga algum resultado inesperado.

Um pensamento sobre “O Diário Secreto do Donald

  1. Decididamente, não me poderei ficar pelas expressões habituais de admiração ! O bom humor com que esta crónica foi escrita, produziu em mim, um efeito extraordinário. Fiquei tão bem disposto, que até me parece ter ficado a gostar mais do ” gajo “, do que gostava. ( Que Satanaz, nunca me ouça ! ) Foi um momento genial de leitura !!!

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