Londres e Pedrógão Grande

HORROR!

Tem sido com adesivos na alma que acompanhámos, primeiro, o terrível incidente da torre de Londres e, agora, a fatalidade que também nos assolou em Pedrógão Grande e concelhos limítrofes . Em ambos os casos, o fogo foi o inimigo de serviço . Em Londres, aparentemente, por utilização indevida de um revestimento de fachadas. Em Pedrógão, Portugal, parece ter sido um raio com origem numa trovoada seca que originou a enorme desgraça deste fim de semana.

Seja qual for a primeira razão de qualquer destas duas desgraças, o que mais nos toca e verdadeiramente nos aflige é o facto de terem morrido pessoas. Não importa o número. Sabemos que a diferença entre acidente e tragédia é, de uma forma geral, o número de pessoas envolvidas. Mas esta diferença não é justa porque as vidas não têm preço, os bens perdidos são incalculáveis e a infelicidade e desgosto dos familiares não tem medição possível. Segundo as primeiras estatísticas já adiantadas este incidente de Pedrógão será o mais grave já ocorrido em Portugal de há muitos anos a esta parte. O número de vítimas mortais vai aumentando, quase de hora a hora. No momento em que escrevo falam em 61 mortos e cerca de 60 feridos. Com a continuação do incêndio e com a investigação e os muitos rescaldos necessários estes números vão, infelizmente, aumentar.

À habituação que o estado de guerra em que nos encontramos ( o terrorismo global) nos criou, acrescenta-se o paradoxo essencial de, em qualquer destes dois casos, parecer tratar-se de acidentes fortuitos (para não dizer naturais). E isso remete-nos para a sensibilidade e solidariedade que têm que existir nestas situações. As ocorrências naturais são, geralmente, fruto de condições prévias que não terão sido antecipadas ou respeitadas.

Mas as primeiras questões que devem ser colocadas não são, em minha opinião, procurar culpas ou culpados. O mais urgente será prestar o socorro possível, fornecer todo o apoio necessário: físico, administrativo, social, moral e psicológico. Não se pode ignorar ou menosprezar o esforço gigantesco de todas as equipas técnicas envolvidas nos acidentes. Vimos, pela televisão, tanto em Londres como em Pedrógão (que ainda não terminou) o desempenho tremendo de bombeiros, peritos, militares, civis o que, no meio de toda esta desgraça, nos dá algum consolo  e nos obriga a respeitá-los incondicionalmente.

Não é só o terrorismo que nos atormenta. Em Londres, em Portugal, por toda a Europa. As inconstâncias naturais perseguem-nos também. Depois de tudo passado , com o apoio possível já facultado a quem dele necessita, haverá condições para se estudar o que tenha corrido mal e passar a fazer o que poderia ter sido feito. Regulamentar o que deve ser feito. Todos em conjunto, sem recriminações estéreis.

Fazer tudo isso como uma vénia de respeito a todos os que sofreram ou ainda continuarão a sofrer.

4 pensamentos sobre “Londres e Pedrógão Grande

  1. Peço perdão pelos meus fracos conhecimentos da língua de Cervantes, que já não sei bem, se foram adquiridos em Badajoz ou se em Ayamonte…! Um pouco mais avançado do que sempre soube, para pedir ” Dos cañas e una de calamares.”..!

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  2. Mais uma, que me vai ficar marcada na pele do rosto. Mais uma marca, pelo franzir de testa, que reflete a brutalidade e a violência do drama de tantos portugueses, que chegou sem se fazer anunciar, ou sem ter quem o anunciasse preventivamente. Ainda mal refeitos, pelo que aconteceu em Londres, e mais um triste acontecimento, desta vez, entre nós, portugueses. Conheci muito bem a zona, quando tinha que fazer visitas profissionais, pela indústria de tecelagem. Talvez, passe despercebido a muitos portugueses, a importância que aquela indústria tinha ( penso que ainda tem ) nesses meus tempos, no desenvolvimento daquela zona do interior tão rural . Que eu me lembre, só no Avelar, uma pequeníssima aldeia, que crescia, albergando oito fábricas de tecelagem de lã, incluindo uma moderna fábrica de fiação…! E tal era o dinamismo daquela boa gente, que se associaram para fazer erigir, de raíz, uma pensão, para receber os visitantes, tão confortável como qualquer pousada do antigo SNI. Era interessante, logo pelo fresco da manhã, o matraquear rítmico das máquinas de tecelagem, com lançadeiras, no seu vai e vem constante, cruzando a trama, e que lentamente produzia os tecidos dos tão apreciados estambres portugueses. Toda aquela zona, a Sul da Serra da Lousã, era semeada de pequenas indústrias, até Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera. Outra Vila, bonita e bem mais desenvolvida com a mesma indústria. Esta, bem mais dedicada aos lanifícios de moda para senhora. Uma questão de especialização técnica, liderada por debuchadores ( para quem não saiba, uma especialidade curiosa, não só de design, mas também do processo de enterlaçamento dos fios, formando os vários padrões da moda ). Não sei se ainda hoje é assim, ou se ainda mais desenvolvida. Acredito que sim ! E todas estas recordações, têm vindo a ser recolocadas no meu cérebro, pela inesperada brutalidade do destino de tantas pessoas, que viviam felizes, os seus dias tão dramaticamente cortados. Numa zona bonita, cheia de arvoredo e bons ares, bem enquadrado junto às bacias das barragens do Zêzere. Aquela imensidão de pinhais de grande porte, talvez alterados por outros tantos eucaliptos, que nos assusta todos os anos pelo Verão, pregou mais uma partida, que de qualquer forma nunca pensávamos acontecer com aquela violência. Um incêndio de uma mata, é sempre medonho, mas nem sempre impensável. E eles acontecem todos os anos, sem sentido nenhum, ao arrepio de tantas decisões e de tanto briefings para tão pouco resultado. E aqui, deixo ficar as minhas dúvidas, quanto à eficiência de tanto operacional superior. Desta vez, foi um raio. Acredito que sim ! Amanhã, será um paranoico qualquer a fazer das suas proezas alucinantes, com os mil perdões, porque é um paranoico. Como dizia um escritor espanhol, de que não me ocorre o nome : Yo no acredito en Bruxas, pero, que las hay, hay…!

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