SALZBURG – 6 DE AGOSTO DE 2017

Falemos hoje um pouco, muito pouco, de ópera.
Os grandes apreciadores, especialistas e críticos de Ópera já há muito haviam esgotado os lugares para o festival de Salzburg deste ano.
Três grandes nomes estavam ligados a esse Festival: a Ópera Aida, de Verdi, iria ser cantada, pela primeira vez, por aquela que é considerada pelos especialistas talvez a maior soprano, a maior diva deste século: a russo-austríaca Anna Netrebko.
A Orquestra Filarmónica de Viena seria conduzida pelo maestro Riccardo Muti, um dos maiores especialistas de Verdi e, finalmente, a encenação seria obra da fotógrafa iraniana Shirin Neshat, internacionalmente conhecida por defender as causas das mulheres, em especial no seu país, de onde ela e a sua família fugiram quando da revolução islâmica.
Estas foram as grandes apostas do novo Diretor do Festival de Salzburg, Markus Hinterhauser.
Anna Netrebko triunfou e encantou, como se esperava, e consolidou o seu lugar entre as grandes divas mundiais. A direção da orquestra por Muti foi exemplar e a encenação mereceu os maiores encómios dos críticos.
AIDA, desempenhada por Anna, é, como se sabe, a história de uma etíope, filha de Amonasro, rei da Etiópia, que é feita escrava pelos egípcios. Apesar deste drama, Aida nunca renega os seus antepassados, apesar do amor que tem por Radamés, herói egípcio, representado por Francesco Meli. Meli cantou, superiormente, a famosa peça "Celeste Aida", mantendo a sala em aplausos durante largo tempo.
O sucesso de Netrebko foi mundial e para quem, como eu, gosta de a ouvir, resta-nos esperar pela sua gravação (a retransmissão foi feita no Canal Arte, ontem, sábado 12 de outubro).
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Mas, enfim, para quem tiver posses e influentes conhecimentos internacionais talvez consiga ainda arranjar um bilhete para o Festival que se prolonga até 25 de Agosto.
Sem vos querer maçar mais, sugiro que ouçam Anna Netrebko em muitas das peças já disponíveis no inefável YouTube. Comecem por ouvi-la cantando "Meine Lippen" de Franz Lehar, no recital de 2007 em Baden-Baden, na "The Opera Gala".
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Aproveitem e vejam toda essa Gala em que a Anna é acompanhada pela Orquestra Sinfónica de Baden-Baden e Freiburg, dirigida por Marco Armiliato. Nessa Gala também poderão ouvir Elina Garanca, Ramon Vargas e Ludovic Tézier.

Os que gostam de ópera já estão fartos de ouvir estas peças, os menos familiarizados talvez se apaixonem e dediquem um pouco mais do seu interesse ao mundo da Ópera. Garanto-vos que compensa.

3 pensamentos sobre “SALZBURG – 6 DE AGOSTO DE 2017

  1. Bravo…! Bravo…! Bravo…! Uma deliciosa crónica, que faz inveja a muitos, que como eu, não têm disponibilidades de marcar lugar em qualquer desses eventos. E Salzeburg, continua a marcar uma posição de bom gosto e de cultura, ímpar na Europa. A Ópera, a arte do belo canto, que acompanhou a maioria das pessoas da minha geração, que se rendiam às delícias da música clássica, continua a marcar posição. Nasci numa casa onde não se ouvia outro tipo de música, até à adolescência. Idade, que a força das mudanças do pos-guerra e da efervescência que uma nova época inverteu, mesmo que pouco, os gostos com as novidades do Swings e Booguioogues. De pouco me valeu, a solenidade de ter um piano em casa, no qual só a minha irmã tinha acesso, onde se tocavam as músicas protocolares do Conservatório Nacional, e o seguimento apertado de uma professora, que mais parecia uma sufragista inglesa do início do séc. passado. Mas o gosto pela música clássica, não desapareceu, permanecendo, fazendo a diferença, realçada com mais brilho. Recordo, os meus irrequietos 16 anos, cantando La Boemme, em conjunto com outros amigos, pela noite fora, na Av. de Roma e João XXI, a chamar pelas diversas Mimis, que ficavam à espreita, por detrás das cortinas das janelas. Era a moda das operetas com Nelson Eddie e Jeannette MacDonald, que já vinha de trás, cantando The Indian Love Call, hoje, completamente demodé, mas sem perder a sua beleza romântica. Era a voz deliciosa de Diana Durbin, que me obrigava a sacrificar 18$00 das minhas mesadas e algumas idas ao cinema, para comprar aqueles pesados discos de 68 rotações. Eram as canções napolitanas do Torna a Sorrento e as que mais tarde se evidenciaríam pelo Festival de S. Remo. E nisto, de música, tanto austríacos, como hungaros e alemães, aproveitaram bem as belezas das florestas, do Reno e do Danúbio, para transferir tanta influência de bom gosto pelo mundo fora. E Franz Lehar, e os Strausse, são bem o exemplo disso…!
    Nós, por cá…! Bem ! Nós por cá, vamos-nos contentando com o São Carlos fora de portas, e algumas sessões nunca bem anunciadas, nos Jardins do Palácio de Queluz, ou na Fundação Olga de Cadaval…!
    Bem haja…!

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  2. Como sabes, desde o 1º ano do Passos Manuel, eu não tenho ouvido musical, mas, embora não sabendo distinguir um dó dum ré, gosto imenso de ópera. Oiço No Mezzo sou assinante do S. Carlos e leio as crónicas/críticas no Expresso do meu antigo colega do Técnico Jorge Calado.
    Vou aproveitar as tuas indicações
    Abraço
    Frederico

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