JOGOS OLÍMPICOS 24 E 28

A realização dos Jogos Olímpicos de Verão é, desde há muitas décadas, a grande ambição das mais diversas cidades do mundo. Sem dúvida o maior evento desportivo mundial leva, para as cidades que o acolhem e organizam, uma enorme notoriedade e impactos económicos que não são desprezáveis. Talvez não tivesse sido esse o objetivo inicial do barão Pierre de Coubertin mas, com as mudanças dos tempos e dos meios, as candidaturas das cidades à realização dos Jogos transformou-se em combates de prestígio nacional. Não só para a cidade que se candidata mas para o país em que ela se insere.
A organização de uns Jogos não é uma empreitada fácil. Envolve financiamentos significativos, oriundos de empresas privadas, cadeias televisivas, apoios estatais, todos eles esperando retornos desses investimentos. O gigantismo na organização dos Jogos tem vindo, progressivamente, a aumentar o que preocupa as cidades candidatas e o próprio Comité Olímpico Internacional. Com o desenrolar das crises internacionais mais recentes o número de candidatos também tem vindo a reduzir-se ou, pelo menos, a serem mais prudentes e contidos nos seus projetos.
Por outro lado as Comissões de seleção das candidaturas, compostas por membros do COI, têm sido acusadas de procedimentos menos corretos, violando as normas da ética e da equidade de oportunidades.
É útil recordar que Jogos mais recentes acolheram cerca de 10.000 atletas, juntando-se a estes mais uma parcela importante de técnicos, médicos, assistentes administrativos, etc.. A logística relacionada com eventos desta dimensão envolve grandes meios técnicos e financeiros. Muitas vezes o esplendor e gigantismo das Cerimónias de Abertura e Encerramento dos Jogos levam quase a secundarizar os desempenhos extraordinários dos atletas que perseguem recordes, medalhas e sucesso eterno. E isso é outro fator de preocupação do Comité Internacional.
Por outro lado há sempre a pretensão continuada de algumas modalidades desportivas serem consideradas olímpicas o que nem sempre pode ser atendido. As modalidades têm que ter significativo número de praticantes e universalidade reconhecida.
Foi com base nestas e noutras preocupações principais que o Comité Olímpico Internacional decidiu propor a definição da concretização de candidaturas para dois Jogos seguidos: 2024 e 2028. Para a seleção que já foi realizada houve desistências de diversas cidades, por razões de incerteza financeira. Restaram, como mais preparadas, as cidades de Paris e Los Angeles. O diálogo sobre este tema levou a um entendimento, em princípio do agrado de todos os intervenientes: 2024 serão em Paris e 2028 em Los Angeles. Parece ser uma proposta acertada porque dá mais tempo às cidades para se prepararem e, sobretudo, angariarem e coordenarem mais meios.
Paris, que tinha perdido na fase final para Londres, a realização dos Jogos de 2012, desencadeou uma importante campanha local e nacional. O próprio Presidente Macron pronunciou-se favoravelmente a essa pretensão. Os últimos Jogos realizados em Paris foram em 1924, por coincidência os últimos em vida de Coubertin.
Ficaram para a história desses Jogos as proezas de Johnny Weissmuller, futuro Tarzan no cinema, que ganhou 3 medalhas de ouro na natação e uma no polo aquático. A prova dos 100 metros planos, ganha pelo britânico Harold Abrahams, deu origem a um filme de 1961, “Chariots of Fire” com música de Vangelis que ganhou fama para todos os corredores do mundo. Paris tem grandes infraestruturas prontas para um evento desta natureza e o momento político não podia ser mais adequado. É este o problema indissociável dos Jogos, a sua ligação à política. E isso não é ultrapassável na vida atual porque sem o apoio incondicional do país, a cidade não consegue os meios necessários para a realização dos Jogos.
Loa Angeles realizou em 1984 os Jogos da XXIII Olimpíada, na altura com a participação de 140 países em resultado do boicote por parte dos países do antigo bloco comunista, em retaliação ao boicote americano aos Jogos de Moscovo de 1980. Foram, apesar de tudo, uns Jogos realizados com grande sucesso, em especial pelo facto de, tendo sido organizados por consórcios privados, dirigidos por Peter Ueberroth, apresentou um lucro de exploração de 200 milhões de dólares, para além do lucro indireto para a própria cidade. Criou-se, portanto, a ideia de que uma boa organização de Jogos pode torná-los economicamente viáveis. Infelizmente, nem sempre as condições internacionais permitem que isso se passe.
Loa Angeles aceitou cordialmente a organização para 2028 e garante que a cidade vai provar, com novas tecnologias, com maior participação cultural, com maior número de eventos paralelos aos Jogos, com mais tempo para interessar financiamentos, uma nova viabilidade para o evento. Sobretudo, Los Angeles quer provar que o centro cultural, desportivo e mundano dos Estados Unidos poderá deixar de ser Nova Iorque.
A velha luta do leste e oeste americanos regressará em força, espera-se com benefício para os Jogos e para o Olimpismo.

Um pensamento sobre “JOGOS OLÍMPICOS 24 E 28

  1. Não tenho a mais pequena dúvida, de que os Jogos Olímpicos aproximam os povos e dão um colorido fabuloso ao mundo, numa festa de amizade ímpar. Foi uma descrição muito bem feita e muito interessante, que li com muita curiosidade. Infelizmente, nem todos os países e os seus governos compreendem a verdadeira razão da sua existência, desde há tantos anos a semear a paz e o progresso, numa confraternização de alegria natural entre os povos. O Espírito Olímpico, nem sempre se reduz ao ouro, à prata ou ao bronze que se ganha, mas com muito mais interesse, à sã fraternidade entre os povos…!

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