JOGOS OLÍMPICOS PARIS 2024

Hoje, dia 13 de Setembro de 2017, é oficialmente decidida, em Assembleia Geral do Comité Olímpico Internacional, a declaração de Paris como Cidade Organizadora dos Jogos Olímpicos de Verão de 2024. É a conclusão de um processo negocial, conduzido pelo Comité Olímpico Internacional, no qual, pela primeira vez no percurso do Olimpismo, se assegura a realização de dois Jogos de uma só vez: 2024 em Paris e 2028 em Los Angeles, depois da desistência de outras cidades candidatas como Hamburgo, Budapeste, Roma e Boston. Esta deliberação tem um significado importante, para além do que resulta, para o exterior, da visibilidade do Movimento Olímpico.
Como já tem sido muito comentado e discutido, é cada vez mais difícil encontrar candidatos à realização de Jogos, atendendo às crises mundiais que se têm verificado e das que se possam imaginar para o futuro.
Paris interroga-se se os Jogos de 2024 serão um bom negócio. Os peritos envolvidos, mais otimistas sobre a capacidade do Comité Organizador Francês poder respeitar o seu orçamento, avisam, por outro lado, que os inconvenientes económicos deverão ser limitados. Como evitar as derrapagens financeiras verificadas em Montreal, Atlanta, Atenas ou Rio de Janeiro (cujas contas nem sequer estão ainda fechadas)? No pós-guerra as cidades organizadoras dos JO foram vítimas de uma maldição económica. É simples, tirando o caso de Los Angeles 1984, nunca uma edição dos Jogos, de verão ou inverno, foi rentável. em todas elas os orçamentos explodiram! afirmação retirada dos estudos do economista Alexandre Delaigue. Os orçamentos dos Jogos derraparam, em média, 179% em relação aos orçamentos iniciais.
No ano passado, Paris apresentou um orçamento de 6,2 mil milhões de euros. Atualmente já anunciou a subida de 500 a 600 milhões.
Os Jogos de Londres 2012, que foram prudentes nas suas opções, começaram com um orçamento de 2,6 mil milhões de euros e só em 2007 o governo publicou o número definitivo de 9,3 mil milhões.
Os espectadores de televisões que assistem, deslumbrados, às cerimónias desses eventos e até os atletas que, envolvidos pelo rigor, o orgulho e a tensão das suas prestações, mal se apercebem destas desconformidades orçamentais. Desconformidades que, infelizmente, não são unicamente utilizadas em seu proveito.

Vejamos, para os Jogos das últimas décadas, as diferenças orçamentais verificadas:

Previsão / Custo final
(Milhares de milhões de Euros)

SEOUL 1988 3,1 / 4,2
BARCELONA 1992 3,5 / 9,3
ATLANTA 1996 1,8 / 2,3
SYDNEY 2000 3,0 / 5,5
ATENAS 2004 5,3 / 9,6
PEQUIM 2008 2,6 / 31,0
LONDRES 2012 4,8 / 11
RIO DE JANEIRO 9,0 / CONTAS NÃO FECHADAS
TOQUIO 2020 13,0 / —
PARIS 2024 6,8 / —
LOS ANGELES 4,5 / —

Claro que há benefícios que se colhem pelo facto de os Jogos se realizarem numa determinada cidade, de uma forma geral com a aprovação do governo do país. O turismo é francamente privilegiado, a construção de infraestruturas que, em condições normais, não se realizariam, os benefícios das receitas de “sponsors”, de entidades privadas que desenvolveram projetos no quadro de desenvolvimento expectável da realização dos Jogos. Tudo isto são benefícios previstos mas difíceis de avaliar.
Segundo os estudiosos destes fenómenos, em 3 de Agosto de 2016, um “tsunami” desaba no planeta “surf”: o Comité Olímpico Internacional anuncia que o desporto dos reis do “surf”, participará, pela primeira vez, num programa de Jogos Olímpicos, Toquio 2020. Com cerca de 680 000 praticantes as disciplinas de surf, windsurf, bodyboard, wakeboard, kitesurf, skimboard, skateboard poderão gerar da ordem dos 633 milhões de euros. Sem contar com a disciplina do “padel” que se tem vindo a impor ao ténis com muita segurança.
O COI está disponível para estudar e avaliar modalidades que não sejam muito dispendiosas para as cidades organizadoras mas o gigantismo dos Jogos não pára.
E já estão a estudar os e-sports cujas benefícios parecem grandes.
O denominador comum de toda a estratégia do COI é o enriquecimento financeiro, mais do que a satisfação da universalidade das modalidades.
Por isso, os franceses, que estão agora confrontados com uma realidade irreversível, interrogam-se sobre a validade desta “aventura”. O aviso é bem claro: quantos mais cuidados, melhor. Para que não se venha, no futuro, a dar razão à comentadora inglesa ao dizer que No futuro só gente que não faça contas ou autocratas que não prestam contas, se candidatarão à realização do Jogos

O Movimento Olímpico deve concentrar-se nas suas reais capacidades e obrigações.
O gigantismo deve ser acautelado.

2 pensamentos sobre “JOGOS OLÍMPICOS PARIS 2024

  1. Um assunto muito bem exposto, que nos leva a pensar sobre um das mais interessantes, se não o maior evento mundial e todas as dificuldades daí surgidas…! Sem dúvida, uma organização fabulosa, que nos atrai pelo espectáculo e nos deixa por vezes boquiabertos pelas capacidades humanas, sempre a superarem-se até ao inimaginável. E é aqui, que nos surpreende a grandeza do esforço humano, quando pensamos já ter chegado aos seus limites.
    Também, as organizações anfitriãs, nos surpreendem pelo esforço e capacidade, ao quererem mostrar ao mundo as suas capacidades de resposta, à mistura com inevitáveis desaires económicos.
    E quantos de nós, mais sonhadores, não desejaríamos receber todo o mundo desportivo nos nossos parques desportivos, mesmo que agitássemos todas as finanças imaginárias, para os alargar, recebendo multidões de fãs de todo o mundo, numa verdadeira reunião ecuménica de todas as nacionalidades ? Tudo, não passaria de um sonho…!
    Desculpem-me esta pequena alienação, pois ainda ontem, numa das sessões dedicadas às Autárquicas de Lisboa, ouvi um ou uma das candidatas, a sugerir regras e controlo, para o fluxo de turistas que inundam a Capital, como se o turismo tivesse que ser todo ele, encaminhado ordeiramente. De imediato, imaginei malevolamente, excursões com chapelinhos da mesma cor, para ninguém se perder. Quero pensar, que não seria bem esta, a intenção do/a candidata…!

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