MODA E MODELOS

Nunca fui, por razões de vida e de formação, grande apreciador dos circuitos de desfiles de moda , conhecendo apenas por alto os nomes dos mais famosos costureiros internacionais. Fui só uma vez, como acompanhante e há largos anos, a uma passagem de modelos em Lisboa e, sinceramente, não desgostei. Senti-me enquadrado num ambiente que não era meu, mas apercebi-me da importância daquele e de eventos semelhantes para os profissionais do setor. Não foi nessa altura mas, apenas mais tarde, que vim a reconhecer o mundo riquíssimo e fantástico que a moda representa. Os nomes dos grandes costureiros e as suas sempre esgotadas passagens de modelos são a guarda avançada de uma gigantesca indústria mundial que, ao longo dos anos e a despeito das mais frequentes crises, sempre subsistiu com enorme pujança financeira.

Como já se percebeu não conheço esta atividade, para além dos seus reflexos inapagáveis na vida das sociedades. Não quero com isto dizer que não me ocorram suspeitas arrepiantes que, de quando em quando, transparecem nas notícias. Na minha ignorância e no meu distanciamento das coisas da roupa, sempre achei que as modas dos vestidos compridos ou curtos, das calças largas ou estreitas, dos tecidos mais ou menos floridos, das blusas mais ou menos decotadas, tudo eram fenómenos cíclicos que, periodicamente, se repetiam e permitiam reutilizar calças que tínhamos comprado há uns anos atrás e que, sabiamente, havíamos guardado num armário mais discreto. Visão saloia do que é a moda, evidentemente. A frescura das coisas, mesmo que repetidas, é sempre diferente do trapo guardado desde há anos.

Vem tudo isto a propósito da última Semana da Moda em Milão que foi publicitada e descrita em muitos periódicos do mundo inteiro, incluindo Portugal.
Donatella Versace que desde há 20 anos gere este gigante da alta costura (após o assassinato do seu irmão Gianni, o verdadeiro deus desse mundo de encantos) apresentou um desfile de moda, em honra do seu falecido irmão, com a apresentação de famosíssimos modelos dos anos 90 de que, apesar da minha ignorância, me lembro muito bem. Mulheres lindíssimas de quem, mesmo os saloios como eu, não se podem esquecer.

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Os cinco fantásticos modelos que ela conseguiu juntar foram: Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Helena Christensen e Carla Bruni (ex-primeira dama francesa). Desculpem-me, mas estes são os “formatos” de modelos que ainda mais me encantam. As modelos atuais são de outros formatos físicos: esqueléticas, bulímicas, quase como adolescentes mal alimentadas.
A 26 de Setembro iniciou-se a Semana da Moda de Paris e aí, os gigantes do luxo que são LVMH e Kering recusaram-se a passar modelos demasiado magras ou muito jovens. Em França exige-se agora aos manequins a apresentação de certificados médicos indicando os seus índices de massa corporal. A tendência dos grandes costureiros como Balenciaga, Saint Laurent, Dior e Louis Vuitton vai no sentido de ultrapassar esta, quanto a mim, justa legislação. Por isso a ninguém passou desapercebida a imagem daquelas famosas modelos numa foto que será icónica para os profissionais destas indústrias.

Do que eu havia de me lembrar hoje!… Não há dúvida que a vida, em todas as suas mais inesperadas facetas, nos marca de forma indelével. Espero não os ter maçado até porque a imagem é extraordinária.

2 pensamentos sobre “MODA E MODELOS

  1. Penso que não há motivos para perdoar, porque não existem. Não sei se houve uma brisa de ar fresco, ou se foi um relance de luz vinda daquela gravura, que iluminou o meu espírito, já tão cansado de tanta parvoeira eleitoralista. Vaidades, modas, passerelles ? Uhau…! Que mundo maravilhoso, onde se cruza a elegância com o charme, confundindo-se num ambiente de beleza…! Mas nós, homens, não tentámos sempre acompanhar, mesmo que de longe, todo esse movimento, desde que começámos a aperceber-nos da existência de barba a crescer, tentando esconder a pequena borbulhagem do rosto ? Eu, talvez já nem me lembre, mas recordo bem da ” poupinha ” bem penteada, cheia de brilhantina ” Breelcream ” ou de um fixador comprado na drogaria lá do bairro . As gravatas, em foulard de sêda italiana, de cores e desenhos sem exuberância, compradas na Picadily, que saiam bem caros, para uma bolsa magra.
    Ahh ! Mas ainda faltam as camisas de popeline suiça, bem talhada e sem pregas no peito, nem rugas no colarinho, como se costumava dizer por graça. E as loções after-shave…? Bem ! Quer-me parecer, que também somos um pouco (?) dados a modas, embora o nosso ego machista não queira mostrar…! Coisas, muito nossas…!

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