PARALIMPISMO INTERNACIONAL

 

O caso de atletas,  com algum tipo de deficiência,  poderem competir a níveis nacionais ou internacionais tem sido sempre um tema de delicada abordagem, levando em conta o universo de pessoas  a quem se dirige. Trata-se de uma atividade fantástica, cujos protagonistas são pessoas que nasceram com algum problema físico ou intelectual ou pessoas que, por acidente, se viram obrigadas a adotar alternativas às suas práticas desportivas preferidas. Falamos de pessoas com extraordinária força de vontade, de auto-mobilização e de incrível determinação nas suas vidas. São atitudes que só podem merecer elogio, simpatia e veneração. Recordo sempre,  com muito enlevo,  uma prova-exibição de ténis em cadeira de rodas, realizada em 1995 quando me encontrava na Federação Portuguesa de Ténis, com a participação de atletas estrangeiros que se deslocaram a Lisboa para promover a modalidade e dar a conhecer a extraordinária odisseia que é jogar ténis em cadeira de rodas. Havia, nessa época em Portugal, apenas a Federação Portuguesa de Deficientes que se responsabilizava pela coordenação das múltiplas modalidades que já se praticavam e que soube criar, desenvolver e especializar  um mundo de diferenças e de fortes aspirações com que convivia em permanência.  Veio a ser criado, mais tarde, o Comité Paralímpico de Portugal que, integrando-se no Comité Paralímpico Internacional, soube dar corpo às atividades de competição pelas  quais os seus praticantes  ansiavam e têm vindo a merecer os maiores elogios pelas suas prestações nacionais e internacionais. Conheci bem os seus dirigentes e muitos atletas e tenho-os, a todos, num alto nível de apreço.  Nunca fui, nem sou, no entanto, alheio a muitas interrogações que sempre se puseram a nível nacional e internacional.

Vi agora, num artigo escrito pela jornalista Martha Kelner, que os Paralímpicos britânicos se viram forçados a defender-se de graves acusações contra atletas deficientes.  A 11 vezes campeã olímpica inglesa, Lady Tanny Grey-Thompson, veio dizer que “o atual sistema de classificação para atletas paralímpicos não está adaptado aos fins em vista”.  Afirma, inclusivamente, que treinadores e chefes de equipas são cúmplices nesses desmandos, ameaçando os atletas de perderem os seus lugares nas equipas se, publicamente, levantarem suspeitas sobre o sistema de classificação.  É apontado como exemplo o caso da atleta e campeã paralímpica Hannah Cockroft,  que terá sido reclassificada  da classe T54 para a T34, classe onde se incluem casos mais severos de deficiência (estas classes integram-se num sistema complexo de classificações que abrangem diferentes disciplinas).  A partir dessa reclassificação,  Cockroft ganhou 10 títulos mundiais em provas de 100m a 800m, com margens enormes de avanço.

Agora, segundo um texto de Diane Taylor, ninguém tem dúvidas que as modalidades paralímpicas se transformaram numa atividade global muito lucrativa, reunindo muitos apoios públicos e privados, para além de relevantes contratos televisivos.

Há queixas de que alguns atletas exageram as suas incapacidades, de forma a serem colocados em classes que lhes permitam vantagens na conquista de medalhas. O Comité Paralímpico Internacional veio tentar desfazer essas acusações dizendo que “os países não violaram regras e que os atletas são integrados nas classes adequadas”.  Há, no entanto, muitas denúncias de atletas que preferem manter-se anónimos com medo de represálias nas suas carreiras.

O reconhecimento internacional da justeza dos critérios adotados torna-se, cada vez mais, indispensável. Só dessa forma os atletas poderão manter a sua paz de espírito, sabendo que o seu desporto está limpo de qualquer suspeita e que todos poderão competir em pleno domínio de igualdade e ética desportiva.  É fundamental que o Comité Paralímpico Internacional não se esqueça que a sua força e a sua confiança tem que ser claramente transmitida aos Comités Paralímpicos Nacionais. Assim esperamos.

Um pensamento sobre “PARALIMPISMO INTERNACIONAL

  1. Situações chocantes, que nos deixam pensativos. Não apenas, pela forma desumana em que se desenvolve este tipo de competição, como a desonestidade que mina todo o espírito desportivo…!
    Fiquei absolutamente chocado, agravado pelo desconhecimento em que, confortávelmente, nos temos mantido…!

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