O REGRESSO ÀS CATACUMBAS

Há cerca de 2000 anos atrás era tradicional enterrar os mortos em galerias subterrâneas respeitando, assim, as tradições religiosas da época. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento turístico mundial, milhares de pessoas, com ajuda de arqueólogos, habituaram-se a percorrer os túneis e o dédalo de galerias que existem por esse mundo fora. As pirâmides do Egito são talvez os marcos mais visíveis dessa veneração religiosa e mística. Roma está inundada de monumentais catacumbas (cerca de quarenta), imensos locais de Itália, Grécia e, de uma forma geral, nos países mais antigos,  essa prática foi usual e hoje os investigadores vão escavando, aqui e ali, e vão descobrindo novos locais desconhecidos. Os cristãos romanos queimavam os corpos, recolhiam as cinzas em recipientes que eram transportados para as tais catacumbas. É, sem dúvida,  uma visão macabra da vida e da morte,  mas as religiões e as civilizações sempre interpretaram essa “transição” de formas diferentes: ou queimando os restos mortais, ou enterrando-os em locais a tal destinados,  mas não regressando às galerias subterrâneas. Não sou especial venerador desse tipo de cerimónias mas reconheço que me impressionou o facto de, por debaixo do cemitério principal de Jerusalém, no Monte Herzl, estarem a ser construidas três avenidas e sete ruas destinadas a albergar cerca de 22.000 criptas para obviar à escassez de espaços exteriores,  à superfície, para o mesmo efeito. O cemitério do Monte das Oliveiras também está à beira do esgotamento.  A cremação não é usual em Israel e só Jerusalém confronta-se com a necessidade de 4.400 mortes por ano. O projeto está a ser conduzido por uma das maiores empresas da especialidade em Jerusalém, Chevra Kadisha, e custará cerca de 50 milhões de dólares.  Os acessos e deslocações interiores serão facultados com a ajuda de carros elétricos de golfe. A inauguração da primeira fase deste empreendimento terá lugar em 2018, com acesso a 6.000 criptas.

As grandes cidades do mundo debatem-se com este mesmo problema (Lisboa é uma delas) e os planos para a sua resolução deve ser e tem vindo a ser encarado nos últimos anos. Independentemente dos aspetos religiosos sempre envolvidos nestes casos,  surgem detalhes de complicadíssima resolução no que diz respeito à propriedade de parcelas de terreno nos cemitérios, aos direitos de transmissão, se se quisesse proceder a uma alteração de local.

Esta solução israelita não deixa de ser engenhosa e poderá, talvez, vir a servir de modelo para muitos outros locais no mundo. Lembro-me bem da inauguração, não há muitos anos,  do cemitério de Carnide, em Lisboa, e as críticas que então foram levantadas. Está tudo calmo agora  e talvez não se venha a agravar pela redução prevista para a expansão da cidade. Mas, enfim, aqui fica um pouco do meu espanto relativamente a um tema, para mim, tão sinistro e acabrunhante.

Mas, pensando com um pouco de humor para desanuviar o ambiente, terá sido esta uma das razões pelas quais o Sr. Donald Trump resolveu mudar a embaixada para Jerusalém? Os seus concidadãos (e se calhar ele próprio)  poderiam fazer, desde já, as respetivas reservas. E não ficariam longe da sua nova futura casa…

2 pensamentos sobre “O REGRESSO ÀS CATACUMBAS

  1. De facto, um grande problema para as populações. Onde e como enterrar 7.800.000.000 de almas, incluindo eu próprio, durante as próximas 8 ou 9 dezenas de anos, dá que pensar…!

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    • Amigo Marques da Silva…! Este assunto, é-nos merecedor de todo o respeito, e a forma como foi apresentado, trouxe uma verdade à superfície, que nunca pensei ser tão importante. Bem haja pela lembrança, e mais ainda pelo esclarecimento…! Em aditamento ao meu comentário, devo dizer, que tenho um gosto especial por estatísticas, que pensava estar ultrapassado com a idade. Mas a grandeza dos números, dizem-me muito, quando não vislumbro os valores das coisas da forma mais simples. Então, peguei num lápis e num papel, e comecei a fazer contas. De facto, o assunto que expôs, é de uma importância tão extraordinária, mas que infelizmente me passaria sempre despercebida…! E aqui, se não errei nas contas, aquelas ditas sepulturas, postadas em linha, dariam aproximadamente 195 voltas à Terra, pela linha equatoriana. Ou mais ou menos 4.335 vezes Lisboa / Paris…! E também para desanuviar o espírito, agora começa a compreender a razão, porque Donald Trump anda tão obcecado com os muros fronteiriços…!
      Nem sei se vou conseguir dormir esta noite…!

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