ADEUS 2017 – VIVA 2018

Como já vos tínhamos comunicado vamos hoje publicar o último post de 2017 deste nosso  blogue. Um post que reune quatro pequenos textos de cada um dos autores e parceiros deste blogue. Tem sido um ano entusiasmante para nós, para quem esperava relativamente pouco desta aventura e acaba por receber o apoio gratificante de grande número de amigos e conhecidos. No ano de 2018 estamos certos que o âmbito e a divulgação desta nossa aventura vão aumentar. Afinal não dizemos coisas complicadas mas reconhecem-nos o mérito de as dizermos. Muita gente já conhece as coisas de que falamos, outras menos, mas tem havido um sentimento de bonomia e sorrisos de tolerância relativamente aos conteúdos (os sorrisos percebem-se por alguns comentários…). Pugnámos por não dizer mentiras nem falsas verdades e isso tem sido reconhecido e muito saudável para quem , embora sabendo que há “trapos”,  lhes dá mais apropriada utilização.  Os textos de hoje não podiam deixar de abordar a época que se vive. Sem combinações prévias acabam por aparecer pequenos textos-narrativas que, assim esperamos, vos deixem uma pequena margem para divagação e recolhimento. Aqui vão.

NOSTALGIAS – Autoria de Rui Frias

Eu sei que não acontece só comigo, mas todos os anos dou comigo a remexer nas caixas guardadas no sótão, cobertas com o fino pó acumulado de um ano que invariavelmente nos suja os dedos. E, paulatinamente, vou escolhendo as peças essenciais para a montagem da árvore que, por economia, se tornou sempre a mesma. Um passatempo que me leva a pensar em tantas outras épocas e me indica como foi rápida a passagem de mais um ano tão cheio de acontecimentos. Peça a peça, a árvore foi começando a tomar forma. Algumas pausas para descansar as costas, já doridas de tanto sobe e desce. Como quem pinta um quadro a óleo, fui salpicando o verde da árvore com as bolinhas de cor, com a mesma disposição dos anos anteriores. Mais umas bolinhas douradas a fazer realçar a beleza da árvore, como o meu gosto entendia ser. As luzinhas LED, de um branco de neve resplandecente, a dar-lhe vida, com a sua tradicional intermitência nervosa…!   Terminado todo aquele trabalho, sentei-me no sofá a apreciar um pouco mais de longe, todos aqueles efeitos. Aquele bailado incessante das luzinhas, levaram-me a pensar na beleza mágica desta época. A ternura de uma festa que aproxima as pessoas, amigos e família.    Num momento de sonolência, cerrei ligeiramente os olhos e deixei-me arrastar para outros Natais onde não havia luzinhas nem bolas de cor. Apenas as luzinhas das estrelas e o luar forte dos céus de Goa, a marcar violentamente os meus verdes anos….

Um abraço e um Bom Natal.

 

O MENINO JESUS E O PAI NATAL – Autoria de Frederico Fonseca Santos

Quando eu era pequeno, em minha casa não havia Pai Natal.  O meu pai não aceitava a figura do Pai Natal: dizia que era uma invenção dos protestantes nórdicos e anglo-saxões. Para os católicos a figura associada ao Natal era o Menino Jesus. Portanto era ao Menino que se pedia e depois se agradecia as prendas recebidas. Acho que tinha razão, mas os espanhois ainda têm mais razão ao ligar as prendas com a chegada dos Reis Magos. De facto foram eles que trouxeram as prendas para o Menino Jesus e não Este que as ofereceu a si próprio.   A introdução do Pai Natal, ou Papai Noel como dizem os brasileiros, está na linha da mudança das tradições portuguesas para as tradições de outros países, como são exemplos a transformação do dia do Pão-por-Deus no dia das Bruxas e a introdução do samba e dos trajes minimalistas, próprios dos climas tropicais, nos corsos carnavalescos lusitanos.  Como estamos em período festivo, não deveria escrever o que vou escrever, ou seja, que um país que renega ou despreza as suas tradições está a caminho de deixar de ser uma nação – mas não resisto ao desabafo.   Ainda sobre o Natal, lembro-me da manhã natalícia em que me encontrei com crianças um pouco mais velhas , ao contar que o Menino Jesus me tinha dado isto e aquilo, um deles ter-se rido e explicado: “Não sejas parvo, não há Menino Jesus, quem te deu as prendas foram os teus pais!”   Recebi a informação, não repliquei mas, estranhamente, não me senti enganado nem fiquei triste. Foi como se dentro de mim, inconscientemente, esta verdade já existisse há muito.  Nunca disse aos meus pais que já sabia o que se passava e durante já não sei quantos anos mantivemos entre nós a doce ilusão.

 

A PROPÓSITO DO NATAL NO “TEMPO QUE CORRE” – Autoria de José Aparício

Em tempos de Natal parece que todos nos tornamos melhores e mais sensíveis ao que nos rodeia. Normalmente neste período, lembramo-nos com mais intensidade dos doentes que estão em sofrimento, dos velhos, dos que se encontram sozinhos, das crianças abandonadas ou em dificuldades, dos mais desfavorecidos em geral.  As TV’s quase todos os dias não nos deixam esquecer as “legiões” de emigrantes vivendo no centro da Europa em condições inacreditáveis nos tempos atuais, aguardando a abertura de fronteiras e o seu acolhimento nos países que escolheram.  E ainda bem que é assim!     Infelizmente estes estados de alma esgotam-se depressa com o correr do tempo.  E tornam por isso pouco aplicável a expressão conhecida “Natal é quando um homem quiser” (Ary dos Santos, in ‘As palavras das Cantigas’).   Para que não nos esqueçamos dos outros nos tempos seguintes, lembrei-me de acrescentar a este pequeno texto, uma reflexão sobre o assunto do conhecido ensaísta indiano abaixo citado:

“Porque se apagou a minha lâmpada?
Porque a puseste debaixo do teu manto para a proteger do vento.
Porque murchou a minha flor?
Porque a apertaste contra o coração para a conservar só para ti.
Porque secou o meu rio?
Porque o cortaste com um dique para seres a única pessoa a servir-se dele.
Porque se quebrou a minha harpa?
Porque tentaste tocar uma nota superior ao seu poder de vibração.”
Rabindranath Tagore (1861-1941)

Muito Boas Festas para todos!

 

FAÇAMOS DE 2018 UM ANO DECENTE  – Autoria de M. Marques da Silva

É normal que as pessoas de bem vivam as suas experiências de Natal com a ingenuidade ou sinceridade que os apelos da época lhes sugerem. Pena é, de facto, que as atribulações da vida nos levem a deixar menos prementes esses sentimentos e outras “normalidades” nos levem a desconfiar e maldizer dos factos e das personalidades que nos rodeiam. Cá e em todo o mundo. Esta coisa da globalização, com todas as suas virtudes, deixou-nos reféns do que muitas vezes não interessa ou não é DECENTE. É impressionante ver os olhos esbugalhados de crianças à beira do sofrimento ou da morte, não é decente. As mortes sem sentido de cidadãos como nós que, por acidente, foram apanhados no meio de uma explosão inexplicável mas  sempre, em todos os casos, com razões espúrias que a razão desconhece, não é decente. O abismo que se vai cavando, de ano para ano, entre os muito ricos e os muito pobres,  por via de procedimentos grotescos e ignóbeis a que não se consegue pôr cobro, não é decente. O desdenhar e desfazer vidas recorrendo à mentira, à vil denúncia, ao poder oculto e malicioso que aprisiona e liquida a vítima sem que esta tenha capacidade de se defender, não é decente. O recurso a meios ilegais e sediciosos para obtenção de vantagens ou vitórias, no desporto, nas artes, nas profissões, na política, situações raramente punidas mas que, por não ficarem claras, deixam um rasto permanente de intriga e de ódio, não é decente. Países que desviam os bens das suas terras e deixam as populações a morrer à fome, não é decente.

Chega de enumerar as verdades que infelizmente existem e tanto nos amarguram. Falemos de nós e do Novo Ano que se aproxima. Os três textos anteriores expressam bem o que é a alma e a expectativa de uma criança no Natal.   Acredite ou não, e até quando, nas maravilhas desta época, ela é a expressão da bondade, do bem-querer, de poder olhar para as estrelas e dizer que elas chegarão até nós. Até nós todos, estejamos onde estivermos. Sem nunca “deixar secar o nosso rio”, porque ele não é só nosso. Portemo-nos com decência, peçamos a todos que nos lerem que façam a apologia da decência, esperemos que os “fantoches” que governam o mundo façam o sacrifício de se portarem com decência. Façamos tudo para que 2018 seja um Ano decente. O muito que fizermos será sempre muito pouco para a nossa sociedade e para o mundo. Mas poderemos dizer, no final, entre nós,  que fomos DECENTES.

BOM ANO DE 2018 DE TODOS NÓS PARA TODOS!

2 pensamentos sobre “ADEUS 2017 – VIVA 2018

  1. CAROS COMPANHEIROS DE BLOG
    Apesar de todas as desgraças e maldades que nos rodearam, no ano que está a terminar também aconteceram coisas boas, como por exemplo este blog que graças à iniciativa do Manuel José partilhamos.
    Como é meu dever, pela escrita ou pelo exemplo vou tentar contribuir, embora muito modestamente sem dúvida, para melhorar a nossa vida colectiva
    Grande abraço e coragem companheiros !

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  2. Interessantíssimo, esta despedida de 2017. Tem sido um ano cheio de surpresas boas e más. Muito do dramatismo das más notícias, tem feito ensombrar o que de bom se conseguiu, até ao esquecimento ou ao desprezo, numa onda provocada pelos ventos da incompreensão e da intolerância, do oportunismo e da perfídia. Talvez mais. pela sobranceria pacoviana, que aos poucos, tem vindo a invadir esta sociedade, nem sempre justa e moralizada, como todos nós sonhámos vir a pertencer de corpo e alma…! De facto, somos um mundo que pela sua natureza, não permite vislumbrar mais para além do que a linha do horizonte lhe permite, sem se importar com o sofrimento dos outros. Apenas os valores das Bolsa interessa, o preço do crude ou o dos cereais, num frenesi de especulação, sem entenderem o que é a decência…!

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