O SURTO DE SARAMPO

O surto de sarampo que ocorre no região do Porto, trouxe-me de volta algumas recordações da infância.
Nesse tempo, a única vacina disponível era contra a varíola. De modo que as famílias resignavam-se a que os filhos tivessem a totalidade ou parte do catálogo das doenças disponíveis.
Pessoalmente, tive sarampo, varicela (ou bexigas loucas) e papeira, alem das gripes e constipações correntes.
Destas enfermidades, a única que me maçou realmente foi a varicela pois calhou num período carnavalesco e adeus folias.
Em geral os meus Pais chamavam o médico (que confirmava apenas o que eles já sabiam ou adivinhavam) e certamente receitava alguma coisa, embora o único remédio fosse deixar passar o tempo até que o organismo vencesse o mal. Aliás seria impensável o médico ser consultado e não fazer uma prescrição…
(Devo dizer que na vida adulta isso já me sucedeu algumas vezes e não fiquei com a impressão de que o médico não sabia o que fazer ; pelo contrário fiquei com a ideia de que ele sabia muito bem o que devia fazer)
No caso do sarampo, havia uma crendice popular que aconselhava a forrar os vidro das janelas com papel vermelho para apressar a cura ( talvez porque a luz passava de branca a avermelhada, diminuindo o efeito das sarapintas resultantes da doença. Como mal não fazia, a minha Mãe autorizou que fossem postos papeis na bandeira da porta (não na janela para a rua).
Em relação à papeira, a mezinha popular era aplicar no pescoço um pano quente impregnado de enxúndias de galinha (horror!), mas a isso não fui sacrificado. Felizmente a papeira não desceu para os testículos.
Quanto à varicela, a única recomendação de que me lembro foi a a não coçar as borbulhas, para não infectar nem ficarem marcas.
Falando na generalidade, as vacinas são uma grande conquista da medicina e não compreendo como há pais que recusam a vacinação dos filhos. A ignorância sobre a grande protecção que as vacinas trazem deve continuar a ser combatida com energia. Esperemos que este surto de sarampo contribua para isso.

Um pensamento sobre “O SURTO DE SARAMPO

  1. Ainda ia a meio da leitura deste seu texto sobre o Sarampo e Papeiras, e senti de repente, ter recuado aos meus anos de muito jovem. Como foi possível ter-me esquecido dos papeis avermelhados, colados aos vidros das janelas…? Alguém tinha dito que era necessário, para suavizar os efeitos da doença. Mas os vidros já não comportavam mais papeis além das tiras coladas em cruz, por causa dos possíveis bombardeamentos. Estávamos em plena 2ª Guerra…! A memória tem destas coisas, fazendo-nos parar para recordar uma eternidade..! E a Papeira, que percorria todos os meus irmãos e amigos de todos os dias, criando uma azáfama em nossas casas, escada acima e escada abaixo. E a visita do médico, que nos encostava o estetoscópio sempre gelado, no peito e costas e nos fazia tossir com as pancadinhas dadas com os dedos sobre a mão espalmada encostada à pele…! Dois ou três dias depois, já andávamos aos pulos pelo quintal,, prontos para outra…! Por incrível que pareça, foi interessante, recordar aqueles tempos de ingenuidade, em que mal avaliávamos a gravidade desse tipo de doenças …!

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