A MORTE MEDICAMENTE ASSISTIDA

Os factos: vão ser discutidos na Assembleia da República, no próximo dia 29/05/2018 vários projectos de lei tendentes a legalizar a morte medicamente assistida. É uma discussão transversal à sociedade, não é de direita nem de esquerda. Por isso resolvi dar a conhecer o que penso sobre o assunto.

As pessoas nascem naturalmente com amor à Vida. E procuram mantê-la precavendo-se de actividades perigosas, tratando-se quando adoecem, recorrendo aos serviços médicos que a Sociedade foi desenvolvendo e que, nos países onde existe serviço nacional de saúde, está à disposição de todos. Porem existem circunstâncias em que as pessoas vêm a sua vida em risco sem o desejarem, como no caso de guerras ou catástrofes ( dizia-se dantes que para morrer bastava estar vivo ), ou que decidem arriscar a vida para salvar alguém em perigo ou para lutar por uma causa ou pelo seu país, ou mesmo pela emoção dos desportos radicais.
Todavia, nem para toda a gente a vida é um mar de rosas e para alguns infelizes pode chegar um momento em que é um martírio, é insuportável, continuar vivo, por razões de sofrimento físico ou moral. Quando chegam a esse ponto ou mais simplesmente quando não querem viver mais, os seres humanos devem ter direito a uma morte sem sofrimento, medicamente assistida, desde que decidida em pleno uso das suas faculdades mentais. Esta decisão deve poder ser tomada pela pessoa para efeitos imediatos ou deixada escrita para ser executada quando as faculdades mentais a tiverem abandonado ao ponto de se ter tornado um ser vegetativo. Qualquer destas decisões deverá ser tomada em presença de testemunhas idóneas e sem interesse na morte do decisor.

Há opiniões a favor e opiniões contra. Porem aqueles que são contra fazem-no por motivos ideológicos sem terem a noção experimentada do que seja o sofrimento moral ou físico de quem se decide a pedir a morte. Não me parece que estejam em condições de poder obrigar outrem a manter-se vivo, mesmo que disponha do máximo de cuidados paliativos disponíveis.
É também evidente que o pessoal médico a quem repugne executar tal acto não pode nem deve ser obrigado a executá-lo.
Sou pois a favor da legalização da morte medicamente assistida, com todas as cautelas exigíveis.

Lisboa, 28 de Maio de 2018

Um pensamento sobre “A MORTE MEDICAMENTE ASSISTIDA

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