O ESCALDANTE CASO DO PARQUEAMENTO

Nos muitos anos que já vamos tendo de carta de condução aconteceram-nos, a todos, factos curiosos, engraçados, às vezes mais aborrecidos, consequências, enfim, de quem tem que se mexer ou estacionar nesta linda Lisboa ou noutras terras deste nosso belo país. Quando estacionamos em sítio legal lá vamos com as moedinhas para serem engolidas pela maquineta da rua. Às vezes atrasamo-nos e lá vamos a correr, com o credo na boca, para ver se ainda não passou por lá o almocreve das multas. É a vida dele, coitado. Mas há agora umas maravilhosas aplicações para telemóveis onde esse problema pode ser tecnologicamente ultrapassado. De qualquer forma posso recordar, com inegável tristeza, que já fui contemplado com algumas multas que me apressei a pagar para que o problema não piorasse. Bom, mas nem o meu caso, nem  tantos outros que por aí acontecem têm sido notícia de telejornais ou grandes entrevistas. Pagou-se e acabou-se!

Mas eis que a nossa comunicação social dedica notícias em horários nobres, nas televisões pública e privada, ao escaldante problema de um acordo temporário que a Câmara Municipal de Lisboa fez com uma cidadã americana que comprou um palacete em Lisboa e no qual estão a ser feitas grandes obras de remodelação.  O local é apertado de trânsito e, durante este período , a Câmara decidiu atenuar os problemas de tráfego com uma medida que pratica, com alguma naturalidade, em muitos outros casos, impondo as tabelas municipais na concessão temporária e precária de um espaço vizinho no qual se podem estacionar creio que 15 viaturas, aligeirando o problema das obras. Há uma tasquinha simpática por onde passo muitas vezes que, devido à sua intensa frequência, também beneficia de contrato semelhante. Então porquê este texto? É que a tal cidadã americana é, nem mais nem menos,  a famosa Madona que decidiu arranjar aqui uma casa por lhe parecer que a nossa cidade é acolhedora e tem gente simpática para conviver. Pois tem, mas também tem da outra para quem esta normal atitude da Câmara se transformou numa intempérie nacional. Os noticiários dedicam tempos alongadíssimos de antena para pedir esclarecimentos ao Presidente da Câmara, imagine-se, que, como lhe compete, lá vai dando as explicações triviais que toda a gente percebe e que se tornam quase ridículas e desnecessárias. Aparecem também uns figurões bem falantes que bolsam inusitadas reclamações contra este “acto de poder insuportável”… O que vale é que as pessoas já os conhecem e não lhes ligam nenhuma.

Enquanto as televisões alimentam as audiências com este malbaratado tempo informativo há questões bem mais importantes e interessantes, por cá e pelo mundo, que merecem simples referências passageiras. A cadeia televisiva de Hamburgo, na Alemanha, é talvez a mais ouvida e vista em toda a Europa pelo rigor, fidelidade e importância da informação. Tem uma duração normal de 20  e máxima de 25 minutos, sendo apresentada,  depois da versão original, em francês e inglês. Claro que também há das outras, das que se prolongam por horas para relatar as minudências da vida. Mas infelizmente, entre nós, a tendência é para só termos destas.

Vendo bem, o “escaldante” caso do parqueamento   não é mais que aquilo a que Eça de Queiroz chamava “as saloices e provincianismo lusitanos” a que eu acrescento “em todo o seu esplendor”! O que vale é que o retorno publicitário deste não-crime traz imensas vantagens para a cidade.  Com a benção da Madona, claro!

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