Lx. Menina e moça…!

Ao folhear a última revista Visão História, senti o peso de 74 anos de recordações, de uma Lisboa que comecei a amar desde a minha pre-adolescência.  Nascido e criado num ambiente de uma pacata cidade da província, tudo me parecia novidade. Os cinemas de estreia. As esplanadas. A Alameda D. Afonso Henriques, ainda em acabamentos de alguns prédios, a abertura da Av. de Roma, João XXI e Areeiro, mostravam bem, o esforço que esta cidade fazia para se mostrar digna de uma cidade moderna, a preparar-se para o pos-guerra, aproveitando o ambiente cosmopolita alcançado durante a trágica 2ª Guerra Mundial. Sem darmos por isso, ou não dando o valor à situação em que nos encontravamos, eramos um Oásis para quem nos procurava, dentro de uma Europa faminta e destruida, não obstante a ignorância, a iliteracia e o atraso tecnológico continuarem a manchar a dignidade deste povo, que se esforçava por merecer melhores estatutos…!

De todo este pequeno apontamento, cabe-nos recordar o Eng. Duarte Pacheco. Sem ele, e sem a sua firmeza entusiasmante, dificilmente conseguiríamos imaginar, como seria Lisboa destes nossos dias, talvez ainda embalada no tradicional fado, despejando tristeza pelos cantos dos nossos ouvidos.

A foto da capa, com uma fotografia do largo do Areeiro, deu o toque de partida para outras recordações. O prédio onde morei. O eléctrico da Carreira 8, que nos levava à Baixa, além dos autocarros da Carreira 5, ligando o Areeiro aos Restauradores.

Já longe dos hábitos de ir a banhos, adquiridos na província, em termos de férias, optava-se, como muitos lisboetas o faziam, por apanhar o comboio no Cais do Sodré,  até às praias da Linha de Cascais.  Longe, estavam já, os verões na habitual praia da Figueira da Foz . Longe, estavam já o encher e esvaziar de malas e baús com as roupas julgadas necessárias, despachadas por caminho de ferro e as más vontades dos seus funcionários, em atender com um mínimo de parcimónia…!

Lisboa, como capital do Império, modernizava-se, mostrando uma face com a sensação de liberdade que não existia, apesar de haver, de vez em quando, umas eleições, suavizando ilusóriamente os ânimos, a acompanhar de longe, a evolução das capitais de uma Europa que renascia das cinzas. Um país, cheio de contradições…! Um país que fazia Obras Públicas de interesse nacional, sob um Plano de Fomento para cada cinco anos, fomentando igualmente o emprego. Um povo, que acabava por ter que emigrar, sempre em terceira classe, deixando para traz de si a sua própria sombra, cheia de ouro. Éramos considerados, o país mais rico da Europa, depois da Suiça…! Uma reserva de 865,936 toneladas de ouro, nos cofres do Banco de Portugal, que conseguiu chegar até à data do 25 de Abril, a confrontar-se com as reservas de hoje, que mal ultrapassam  as 382,5 toneladas de ouro, e uma Dívida Pública superior a 190 mil milhões de Euros. Num mero cálculo contabilístico, algumas vezes superior ao valor do restante ouro, actualmente guardado nos cofres de Inglaterra e Estados Unidos, segundo consta …!

Tudo isto, me faz pensar no presente e ainda mais no futuro, sem me desviar daquilo que temos que saber fazer, obrigatoriamente,  em democracia ..!

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