Uma reflexão que há muito se impõe… Utopia?

A rapidez, a profundidade e a imprevisibilidade de algumas transformações recentes, conferem ao tempo presente uma nova forma de olhar a realidade. Esta realidade torna-se hiper-real, mas ao mesmo tempo, trivial e banal, sem capacidade para nos surpreender ou empolgar. Vivemos assim, uma situação complexa, ou seja, um excesso de realidade que se parece com um défice de realidade.

Perante isto, penso que será importante todos nós, enquanto cidadãos de uma sociedade, termos, em vez de uma distância crítica, uma proximidade crítica livre. Em vez de termos uma serenidade autocomplacente, a capaciadade de espanto e de “revolta” de uma forma racional, com conhecimento e envolvimento livres.

Há muito que chegámos a um ponto em que se impõe reinventar o mundo, recomeçar, procurar o novo. O medo, o receio, não nos podem paralisar. Devemos encarar a mudança como um desafio e uma oportunidade. A vida é composta de mudança e por isso, é importante estarmos abertos e adaptarmo-nos a ela.

É necessário esforço, perseverança, dedicação e empenho. É necessário motivação, fazer escolhas quanto ao verdadeiro caminho que devemos seguir e despertar a identidade e a consciência universal que ainda está adormecida em muitas sociedades.

Uma sociedade que se ilude com a crença na sua própria pequenez, sem valores e referências, não pode encontrar esperança ou vislumbrar horizontes de novas realidades. Não podemos ser um Oceano perdido nas suas ondas.

O essencial, a base de tudo deverá ser a autonomia/liberdade individual disposta a aceitar a interdependência, onde tudo esteja interligado e num movimento perpétuo. Onde haja um retorno à simplicidade de valores, a uma estratégia de compromisso real, baseada em ideais, acumulando experiências directas, tomando consciência que ao ser humano bastará muito pouco para ser realmente feliz.

São esses valores que nos movem e fazem acreditar. Se mudarmos mentalidades e buscarmos os princípios e valores essenciais como a verdade, partilha, cooperação, responsabilidade do cuidar, união, raízes, identificação e tolerância mudamos as nossas acções e comportamentos. A tolerância é uma grande virtude, absolutamente necessária para elevar o ser humano à condição de civilidade.

Sem valores qualquer sociedade se desintegrará e nunca criará raízes sólidas e eficazes. Para uma nova liderança deveríamos ter executivos habituados a “lutar” por objectivos contribuindo para incorporarmos, integrarmos e igualmente manifestarmos crenças e esperanças na sua implementação, através da projecção desses mesmos valores no inconsciente colectivo.

É urgente a mudança e esta está em nós, nas nossas capacidades, na nossa coragem e sabedoria, na partilha e união, em acção, de conhecimento, de culturas, tradições, na identidade de cada povo, está na Sociedade Civil, nos Grupos, Associações, Movimentos Sociais. Se mudarmos, o mundo muda.

Tenhamos então, a coragem, a sabedoria e o amor a nós próprios e aos outros, para evoluirmos de forma a que haja essa expressão e linguagem das capacidades que estão escondidas e que a bem das sociedades, deveriam despertar e manifestar-se, criando as condições para uma nova mudança de mentalidades a todos os níveis.

É uma utopia querer e “lutar” para mudar? “Lutar” para mudar mentalidades, para retornar à base de tanto, simplicidade de valores e princípios, e esquecer estereótipos, preconceitos e muitos outros conceitos? As utopias existem se as criarmos e se apenas usarmos o pensamento sem acção.

Um pensamento sobre “Uma reflexão que há muito se impõe… Utopia?

  1. Interessante, toda esta reflexão, sobre a situação da sociedade portuguesa…! De facto, a vida portuguesa necessita de um estímulo, que assente no desenvolvimento das mentes, para um futuro que nos parece agitado. O país, da forma como tem sido governado na última dezena de anos, mais se assemelha a uma trágica cena de naufrágio. Naufrágio, de um luxuoso navio , que poderíamos apelidar de irmão gémeo do Titanic. Majestoso, sulcando as águas enregeladas de um Atlântico medonho, a navegar à vista, sem outra razão, que não fosse o de manter o equilíbrio difícil, num mar revolto. No meio de um nevoeiro que não levanta, eis que toda a sua sumptuosidade colide num traiçoeiro e inesperado Iceberg. Agonizando lentamente, abrindo água em vários lados, ordena a que toda a sua população se recolha na desconfortante simplicidade dos seus salva-vidas, onde a Classe de Luxo, se confunde com a degradada Terceira Classe. Na imensidão, só se ouvem os lamentos e os gritos de raiva, abafando as vozes de ordem, já sem a força de comando necessária, para manter a moral dos passageiros desorientados. Lentamente, sem rumos definidos,quase numa imobilidade crescente, vão-se afastando do mar de objectos flutuantes, já sem interesse para as suas vidas, aguardando socorro, seja de quem for …!
    Nos últimos dias, têm surgidos vários comentários em alguns jornais, sobre a política portuguesa. É natural que ainda venham a ser mais intensas, pela aproximação de eleições. E uma destas notícias, tem a haver com o surgimento do Movimento 5.7, com a intenção de se opor ao imobilismo socialista, contrapondo-se através do desenvolvimento Social-Democrata, aliado à tradicional Democracia Cristã ! Tudo, não passando de novas ideias, novos esforços, novos compassos de espera, novos marcar-passos, novas discussões, novas situações, novas ilusões…! Também, nestes últimos dias, se tem falado da Política da Cristaleira, atribuída a este Governo da Geringonça. Uma cristaleira, de onde não se podem retirar os cristais, incluindo de se lhes mexer, com o receio de se partirem e desequilibrar o que tanto custou a realizar ! Talvez, mais o medo do futuro, que se avizinha sombrio e de nos metermos em novas aventuras, ou a incapacidade de um povo, que se habituou a não tirar os olhos do chão, porque assim se sente mais seguro…!

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