Por onde anda Steve Bannon?

Todos se lembrarão da famosa campanha eleitoral de Donald Trump, que o levou à vitória por meios ainda hoje não totalmente esclarecidos, e do grande estratega e conselheiro da Casa Branca nos primeiros tempos  da presidência de Trump: Steve Bannon. Bannon foi co-fundador da Cambridge Analytica, empresa que esteve na origem do escândalo informático do Facebook. Trabalhou na Goldman Sachs na área da banca de investimento (por onde têm passado e continuam a passar soturnas celebridades de muitos países do mundo, incluindo o nosso),  foi produtor de cinema em Hollywood (imagine-se…) e co-fundador da Breitbart News, uma plataforma informativa de extrema direita, mais conhecida por “alt-right”, bem conhecida por muitas das famosas “fake-news” que têm povoado a galáxia informativa dos últimos anos.  É, na realidade, um grande pensador das mudanças políticas atuais e um mobilizador experiente apoiado por grandes fundos financeiros que o conhecem bem.

Depois de abandonar a Casa Branca (os seus comentários ao famoso livro “Fire and Fury” não agradaram particularmente a Trump) Bannon dedicou-se a “constituir uma infraestrutura global para todos os movimentos populistas do mundo”.

Um continente como a Europa, onde as convicções são cada vez menos firmes, em que os países nela integrados, para além de não terem sido inicialmente consultados sobre a sua vontade real de lhe pertencer,  também dizem não sentir os efeitos dessa integração (não sabendo sequer os benefícios que, entretanto , terão colhido) é um campo ideal para destruir sistemas desadaptados e propagandear os nacionalismos e os populismos que, inorganicamente, se estabelecem facilmente pelas redes sociais.

As juventudes dos diferentes países são pouco conhecedoras das suas constituições e, muito menos, do funcionamento das instituições europeias. A começar por Portugal onde os alunos que ultrapassam o 12º ano e atingem os 18 anos (idade de votar) não sabem o que é um vereador, um deputado, uma assembleia municipal, tendo ouvido falar numa Constituição que vagamente conhecem. E não sabem porque não lhes ensinam nas escolas. Muito menos conhecem o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e tantos outros organismos que nem muitos  adultos conhecem. (Recomendo a leitura do livro coordenado pelo Professor Eduardo Paz Ferreira, “União Europeia: Reforma ou Declínio” para acompanharmos as dúvidas ou as certezas das nossas convicções).

É pois neste pântano de incertezas (agravado por incidentes oriundos do exterior) que Steve Bannon empreende as suas estratégias. É por cá que ele anda e é bom que o saibamos agora, na altura das eleições  europeias. As suas intervenções já suportam diversos partidos  ou movimentos conservadores ou de populismos nacionalistas. São os casos da Frente Nacional em França, do Ukip de Nigel Farage,  do Fidesz na Hungria, no Movimento Cinco Estrelas em Itália, o Vox espanhol e muitos outros por todo o mundo, incluindo os nossos conhecidos Bolsonaro ou o Likud de Israel. Bannon e a sua equipa empresarial,  através do recém criado “O Movimento”, encarregar-se-ão de juntar os clamores dos nacionalistas europeus que são contra as imigrações, contra os casamentos de pessoas do mesmo sexo, que defendem a xenofobia e são, no fundo, contra a igualdade e solidariedade social.

Sim, Steve Bannon anda, em força, pela Europa.

 

 

 

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