LUSOFONIA E DESPORTO

A divulgação da língua portuguesa pelo mundo é uma inegável realidade . Têm sido feitos enormes esforços e investimentos para que o português se mantenha vivo nas regiões onde é falado. E, para além dos países que o têm como língua oficial, há muitas regiões, espalhadas por todos os continentes,  onde se fala e se ensina o português, por vezes de forma incipiente mas tradicionalmente apaixonante para as gerações que a vão sabendo transmitir.

Falar da língua é uma missão profundíssima à qual os especialistas têm dedicado muito do seu conhecimento e da sua genialidade. Essa não é, evidentemente, a pretensão deste texto. Gostava, no entanto, de abordar a faceta de convívio da língua através do Desporto, da prática desportiva. Não se poderá dizer que o Desporto seja um “mal-amado” da sociedade. Pelo contrário, o fenómeno desportivo tem vindo, ao longo dos anos, a tornar-se uma atividade cada vez mais complexa, mais variada e polivalente, atraindo muitas gerações para a sua prática continuada e responsável. Há um oceano de modalidades para a prática desportiva, desde as atividades de lazer às provas de competição e alta competição. Seja como for é indispensável,  de acordo com a multidão de estudos que têm sido realizados por todo o mundo, que tudo comece com os jovens. É por aí que se adquire o gosto pela prática desportiva,  que se aprende a respeitar todos os que connosco participam (a tal ética desportiva) e se ganha o respeito por nós  próprios, pelo nosso bem estar e equilíbrio emocional. É quase inútil repetir estes princípios, que já se tornaram banalidades, mas talvez valha a pena relembrar o que o Desporto pode fazer para a expansão da Língua e, sobretudo, para a sã convivência dos cidadãos que a falam.

Relembro, com admiração, uma extraordinária iniciativa do Comité Olímpico de Portugal que, em 2006, criou a ACOLOP (Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa) propondo e levando à prática uma versão adaptada dos modelos olímpicos que proporcionava o encontro das equipas de diferentes modalidades oriundas dos países ou territórios onde se falasse português. Foi nesse ano, 2006, que se realizaram os primeiros Jogos da Lusofonia, em Macau, território que, à altura, tinha acabado de participar e organizar os Jogos Asiáticos. Participaram nessa altura todos os Comités Olímpicos dos países com expressão oficial portuguesa. Foram diversas as modalidades selecionadas e o número de participantes foi muito significativo. O êxito da iniciativa assentou em dois pilares fundamentais: o da participação voluntária e de alto nível desportivo e, talvez o mais importante, o de todos os atletas, técnicos e dirigentes presentes se entenderem falando português.  Passados 3 anos (foi essa a periodicidade escolhida), portanto em 2009, os Jogos realizaram-se em Lisboa onde o número de modalidades e praticantes aumentou, tendo muitas instalações desportivas,  para modalidades diversas, convivido com essa jovem população mundial  falando toda, “curiosamente”, a mesma língua. As assistências foram enormes e a novidade da iniciativa foi geralmente reconhecida, incluindo municípios e governo. Na assembleia geral da ACOLOP, realizada nessa oportunidade,  apareceram algumas candidaturas para a realização dos Jogos seguintes. A proposta escolhida foi a de Goa, cuja Associação Olímpica já tinha recebido a devida aprovação do Comité Olímpico da Índia para comparecer em Lisboa e candidatar-se à realização em Goa, em 2013 (estabeleceu-se aqui o espaço de 4 anos para não coincidirem com os  JO de Londres 2012). Goa fez investimentos importantes nas infraestruturas necessárias para o evento mas, por razões diversas, verificaram-se adiamentos. Pelas notícias divulgadas na altura soube-se  que nem todos os países compareceram com a totalidade das equipas com que se tinham comprometido mas o evento não deixou des ser marcante para os objetivos da comunidade da língua em presença.

Candidatou-se e foi designado Moçambique para a realização dos Jogos seguintes. Muitos investimentos foram feitos, muitos apoios internacionais (incluindo o de Portugal) foram conseguidos mas, após muitos reveses, os Jogos acabaram por não se realizar. Os seguintes seriam no Brasil que, evidentemente, também não se realizaram.

Após todo este tempo decorrido ocorre-nos perguntar por que não teve continuidade o Projeto já em curso. A Lusofonia tinha em mãos um instrumento único para a sua divulgação, utilizando um meio com geral reconhecimento em todo o mundo: o Desporto. Para os meros observadores deste incidente,  não se tem descoberto explicações  para responder a todos os que, como eu, se interrogam sobre esta lacuna. Nem os estrategas da expansão da Língua, nem os diversos responsáveis pelo Desporto nos países,  se terão apercebido na enorme perda de oportunidade que esta omissão tem originado. Não sei se haverá planos para a retoma da ideia porque a existência dos Jogos dos PALOP, com a sua oficialidade e dependências governamentais, nunca poderá substituir uma iniciativa voluntária, livre, desportivamente ecuménica. E é pena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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