DE SINES PARA A EUROPA

No último Boletim da Ordem dos Engenheiros o Professor Universitário de Engenharia Aposentado, Celestino Flórido Quaresma publicou um artigo técnico de grande interesse que me chamou a atenção e que tomo a liberdade de citar em grande parte do seu conteúdo. Apresento, desde já, os meus profundos agradecimentos pela possibilidade de o ter lido e de, agora, lhe dar o relevo que merece.

A abordagem do autor não poderia ser mais oportuna. Ao abrigo do título “O Porto de Sines e o Gás para a Europa” o Professor Quaresma começa por dizer: “A América do Norte, América do Sul, Europa e África têm o seu centro no Oceano Atlântico. Portugal é a ponta da Europa metida no Atlântico.É, à escala global, o mais central dos países europeus. O Atlântico é a auto-estrada que tudo traz do Índico e do Pacífico. Da China, da Índia, de Hong-Kong, de Singapura, etc. Que tudo leva para o Índico e para o Pacífico. Os transportes de e para a Europa passam pelo Atlântico e por navios de muito grande tonelagem. Que necessitam de portos de águas profundas.

Portugal tem Sines. A europa tem Sines. Aberto 24 horas por dia e 365 dias por ano na rota atlântica. De Sines podem partir as exportações europeias para a América, para a África, para a China, para a Malásia, para a Índia, para a Austrália e para a Oceânia. Com vias férreas para a Península Ibérica e por trans-shipping com carreiras de navegação normal pelo Mar do Norte e pelo Mediterrâneo para a Europa do Sul.

Parece que o atual Ministério da Economia já propôs a possibilidade de abastecimento de gás, a partir de Sines, à Europa Central em alternativa ao gás da Rússia. A longo prazo há que construir o gasoduto desde Sines até à Alemanha.

Este artigo vem confirmar o que já muito se tem dito sobre as fortes constrições europeias, fruto da tresloucada invasão russa à Ucrânia. Por outro lado não podemos ignorar que vivemos e estamos na Europa. E as unanimidades dos países sobre este e outro temas fundamentais começam a ser cada vez mais complexos. Como já por diversas vezes abordámos neste blogue, as práticas e os ideais democráticos começam a ser substituidos por aquilo a que se vem chamando de “democraturas”. As sanções impostas à Rússia pelo mundo em geral trouxe à superfície a réplica dos corte do gás a muitos dos países europeus. Estão a ser tomadas medidas para obstar a esse inconveniente mas tem-se ouvido falar pouco da hipótese de Sines.

Talvez não estejamos bem informados. Assim se espera.

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