A ESTRADA NACIONAL 2

Um amigo meu (só podia ser um amigo) ofereceu-me recentemente um livro maravilhoso: o Guia da Estrada Nacional 2 – Portugal de Norte a Sul pela mítica. Ele conhece o meu gosto por ver coisas diferentes ou novas e, por outro lado, desconfia do meu entusiasmo para me atrever a percorrer os quase 740 quilómetros dessa encantadora estrada que liga Chaves a Faro. Acertou nas suas desconfianças. Já me tinha passado pela cabeça meter-me nessa aventura mas, por esta ou aquela razão, a coisa foi ficando adiada. Não tinha havido até agora um impulso maior que me despertasse do “ronronar” da vida e me levasse a realizar esta encantadora aventura.

Dediquei-me a ler e a percorrer com cuidado o excelente Guia, da autoria do jornalista António Mendes Nunes, nascido na Sertã em 1946. Ele utiliza o voo da figura simpática do Papa-figos, bela ave migratória que, vivendo na África tropical, todos os anos vem pela Primavera a Portugal regressando em finais de Agosto à sua África natal. Mas, como diz o autor, pensando sempre em voltar.

Segundo o autor, diz o Papa-figos: “Esta estrada é o fio condutor dos meus voos. Sigo o seu longo traçado de 739, 260 km, reeencontrando as múltiplas paisagens que amenamente se sucedem. Entre os rios e as ribeiras, os cumes, os vales profundos ou em amenas planuras, pequenas courelas ou grandes herdades são trabalhadas por gente que não desiste da sua terra. Aqui ainda encontramos muitos traços de um país que a globalização já fez desaparecer noutros locais. Convido-te a percorrer Portugal de Norte a Sul. E, tal como eu, voltarás”.

A EN2 liga, por todo o interior do país, a cidade de Chaves à de Faro. O autor reparte esse trajeto em 20 etapas, recomendando-nos os locais a visitar e os pontos mais famosos pela sua gastronomia local.

Não me alongo nas apreciações do Guia. Fica, no entanto, a sujestão para o comprarem e pensarem no desafio a que também fui sujeito. Transcrevo ainda um pequeno texto de Eduardo Galeano, selecionado pelo autor: “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

E se, como disse Fernando Pessoa, “Viajar? Para viajar basta existir”, talvez um dia destes me meta nesta extraordinária aventura do Papa-figos.

Façam o mesmo. Pensem nisso.

Um pensamento sobre “A ESTRADA NACIONAL 2

  1. Uma boa sugestão…! E há tanto para ver neste Portugal…! Há quem o quisesse destruir, colorindo-o de cinza. E ele, teimosamente responde com o verde que já reveste os seus prados e as montanhas graníticas que aguardam a neve que não tarda. A boa mesa que não satura e os vinhos que apetecem. E tudo fica tão perto, a tão pouca distância da utopia…!

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