O EUCALIPTO PORTUGUÊS

Um eucalipto português, com 140 anos de vida, foi eleito como a “Árvore do Ano” num concurso organizado pela União da Floresta Mediterrânica. Irá representar Portugal num concurso internacional deste ano. Em segundo lugar ficou a famosa Azinheira de Alportel, localizada em São Brás de Alportel, já há muitos anos conhecida pela sua densa e larga copa de folhagem. Parece que nisto de árvores famosas não estamos mal…

O nosso eucalipto está localizado em Contige, Sátão, distrito de Viseu, e, segundo a Universidade de Aveiro, é “a maior árvore classificada de Portugal”. A sua plantação remonta a 1878, quando se abriu a estrada das Donárias, mantendo-se, desde então, apesar de todas as intervenções urbanísticas e rodoviárias. Foi classificado como de interesse público em 1964. Parece que a sua plantação poderá estar ligada à celebração do nascimento de uma das filhas do então proprietário.

Independentemente desta classificação tão simpática o eucalipto, nas nossas terras, não deixa de ser um forte motivo de discussão. As papeleiras plantam-nos em áreas delimitadas e privadas para que se possa produzir o papel que tanta falta nos faz. Os ecologistas não gostam dele porque é ávido de águas subterrâneas para a sua sobrevivência, absorvendo-as em detrimento de outras culturas mais adequadas. Mas se observarmos bem, com atenção, a esbelteza e elegância de um alto eucalipto, vem-nos sempre à memória a valentia hirta do seu tronco, um tronco que não se dobra por força de “conveniências” exteriores. Pode ondular com o vento mas retoma rapidamente a sua dignidade vertical. Muitos críticos e comentadores relacionam essa verticalidade com a dos homens, a “verticalidade da espinha”, como lhe chamam. E se pensarmos bem não é invulgar, cá e em todo o mundo, termos exemplos de gente cuja espinha dorsal vai ondulando, se vai entortando, em função de gostos alheios, de vantagens inopinadas, de opiniões saltitantes.

O eucalipto é a nossa espécie florestal mais representativa, ocupando cerca de 26% da área florestal total do nosso país. Áreas que vão sendo cultivadas e desbastadas em função das necessidades industriais. Daí o mérito indiscutível do velho eucalipto de Sátão que já conseguiu viver 140 anos e que poderá viver muitos mais se não lhe perturbarem a vida. Bom exemplo para os humanos que, se mantiverem com consistência a sua pose de dignidade, poderão sempre ser apreciados por esse comportamento. Mesmo depois da morte física. Mas, pelo que se sabe, não parece ser assim tão fácil. As “espinhas” curvam-se, cada vez mais, ao sabor das brisas ou dos temporais.

Por tudo isto, a escolha do eucalipto português poderá ser encarada como um bom “aviso à navegação” para todos os que andarem distraidos com os seus comportamentos de vida. Esperemos que o nosso eucalipto seja o vencedor na fase final das dez árvores que foram este ano escolhidas pela União da Floresta Mediterrânica.

Um pensamento sobre “O EUCALIPTO PORTUGUÊS

  1. Faço votos para que o eucalipto de Continge ganhe, embora o eucalipto tenha a sua origem na Oceânia e não na região mediterrânica. Preferia que a nossa representante fosse a azinheira de alportel

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