Invenções e Progresso

Se observarmos, com atenção, os tempos que correm confrontamo-nos com invenções e utilização de novos equipamentos que, sem dúvida, nos surpreendem. Para a atual geração de investigadores e técnicos diversos nada disso será tão invulgar como é, evidentemente, para as gerações mais antigas nas quais me incluo. Não deixo, no entanto, de me interrogar sobre o surpreendente avanço que se nos proporciona, as facilidades fantásticas que estão a surgir.
Das centenas de coisas novas que têm aparecido nos últimos tempos, posso referir algumas que me ocorrem e que têm aparecido inventariadas nas listas mais recentes das grandes descobertas:
– A investigação biológica que nos leva até ao âmago da célula viva, possibilitando inúmeras intervenções no organismo humano, desde a sua reformulação até à cura de doenças conhecidas, cronicamente, por incuráveis.
– As preocupações e realizações ecológicas que nos propõem edifícios ajardinados no meio das grandes cidades; o enorme desenvolvimento de espaços verdes que não sendo uma invenção é, no entanto, uma habituação cultural.
– Pavimentos betuminosos em estradas que se adaptam como coletores solares para posterior fornecimento de energia.
– Automóveis robotizados que prescindem de condutor e se deslocam com enorme segurança.
– Robots variadíssimos que desempenham muitas funções humanas e que, portanto, dispensam o antigo operador.
– Camiões gigantescos com painéis de video na parte traseira de modo a permitir o condutor de um carro que venha atrás a ultrapassar com maior segurança.
– Barreiras plásticas flutuantes a instalar em zonas oceânicas de modo a permitir a recolha de detritos plásticos.
– Equipamentos para deteção e medida de componentes orgânicos nos produtos alimentares que adquirimos.
– As novas utilizações da película de cortiça que já inundam o mercado e que já chegaram à indústria aeroespacial.
– Sistemas informáticos que nos permitem comandar, à distância, qualquer equipamento elétrico ou eletrónico que tenhamos em casa.
– Tablets informáticos que se dobram ou enrolam para uma melhor acomodação.
– Muitos e novos medicamentos que desbravam caminhos para a cura de muitas doenças o que corresponderá a um aumento de qualidade de vida.

Vivemos, realmente, tempos extraordinários. O desenvolvimento tecnológico abraça-nos ao virar da esquina e acabamos por nos identificar, paulatinamente, com todas essas novidades. Tomamo-las como nossas. Foi assim toda a vida. Se fizermos  uma comparação entre todos os desenvolvimentos que se verificaram nas últimas três décadas e os que se verificaram nas três décadas que se seguiram à 2ª Grande Guerra (que também vivemos) interrogamo-nos sobre quais delas terão provocado maior surpresa ou mais constrangimento às populações. Os choques civilizacionais deixam sempre as suas marcas, os vitoriosos e os derrotados dessas mudanças. Os que sobrevivem têm o dever de se interrogar sobre tudo a que têm assistido. Para melhor ou para pior? Sempre para melhor, disso não duvidamos. Apenas, às vezes, com alguma indiferença.  Que é humana e compreensível.

Mas onde a Humanidade mais tem falhado, desde sempre, é no seu próprio bem estar social. A paz é sempre escassa, os conflitos, mesmo que não generalizados, permanecem. A solidariedade humana, a compreensão pelos menos protegidos, o respeito pela livre forma de pensar mesmo dos que estão em minoria, tudo isso é o denominador comum dos tempos de progresso que o mundo tem conhecido.
Por isso, a questão é saber se este progresso que tanto apreciamos e que será permanente, poderá contribuir para a verdadeira felicidade no mundo. Como se tem visto não o tem conseguido por completo. Mas o caminho tem que ser continuado, privilegiando as monstruosas debilidades e diferenças existentes. A luta é essa, desenvolver mas acautelar e distribuir.
O problema somos todos nós.

 

Um pensamento sobre “Invenções e Progresso

  1. Um assunto muito interessante ! Quando penso na evolução que o mundo sofreu, não posso esquecer que além de mim, há milhões de pessoas a pensar no mesmo e na mesma altura. Apenas poderão pensar diferente, consoante o benefício obtido, dessa mesma evolução. Quando acabou a segunda guerra, tinha eu os meus dez anos…! Lá em casa, já há muito se falava num frigorífico. A oferta, era pouca e o artigo era caro, a roçar luxo. Penso, como iria fazer inveja aos amigos lá de casa, como já tinha acontecido com a compra de um rádio móvel Zenith, made in USA, para ouvir a BBC e o seu ponto-ponto-ponto-traço, a abrir o programa, com a voz de Fernando Peça. Nunca se tinha pensado antes, como guardar a carne ou o peixe ainda fresco, acabado de comprar na praça.. Algumas das casas, talvez não tantas, já acomodavam nas suas prateleiras do seu Kelvinator, os artigos que não iriam ser utilizados de imediato. Era bastante mais confortável e económico, do que ter que ir ao mercado todos os dias, sempre à mesma hora…! Hoje, são muito poucas as pessoas que se lembram desses tempos, porque a evolução nasceu com elas. E são muitas mais, talvez, os tais milhões, a pensar que têm que trocar de frigorífico. E porque não, por um combinado com arca vertical, com um distribuidor de cubos de gelo, e várias gavetas, para seleccionar melhor os artigos ? Como esta crónica, sobre Invenções e Progresso, que gostei muito de ler, nos faz lembrar as diferentes épocas que atravessámos…! Podíamos falar dos automóveis, do pronto a vestir, do cinema em Tecnicolor , dos comboios de alta velocidade, eu sei lá que mais. Mas, infelizmente, o mundo que nunca foi cor de rosa, o progresso nem sempre trouxe o bem estar para todos os povos. E a culpa,como diz no final da crónica, é de todos nós, um pouco. Talvez, porque nunca soubemos distribuir a felicidade pelos outros… !

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