Língua Franca

Decalquei o título deste texto de um interessante artigo publicado no último número da revista The Economist sobre a permanência do inglês como língua preferencialmente utilizada nos trabalhos  da União Europeia. O tema já me tinha sido levantado por diversos interlocutores e a minha opinião sempre foi no sentido da que é expressa no artigo da revista. Acho interessante repegar neste assunto, agora com o respaldo de alguns dados complementares.
O Presidente da Comissão Europeia disse num discurso que “lentamente mas seguramente a língua inglesa perderá importância”. Por azar, nessa altura, disse o que tinha escrito, em inglês. Houve gargalhada na assembleia. É bom recordarmos que das 24 línguas oficiais existentes na União Europeia apenas três são consideradas línguas de trabalho: o francês, o inglês e o alemão. Além disso os eurocratas, de uma forma geral, falam essas três línguas mais a sua própria. A única redução previsível de utilização da língua inglesa será a que decorrerá da ausência futura dos participantes britânicos.
Por outro lado, é bom não esquecer que a Irlanda e Malta têm o inglês como língua oficial. Os países que passaram a participar na UE, a partir de 2004, vieram também aumentar o caudal da língua inglesa. Nenhum deles pensa em mudar para o francês e, muito menos, para o alemão.
François Hollande foi caricaturado por se expressar mal em inglês o que não acontece com Macron que é fluente na língua.
Na União Europeia, a nível de ensino de línguas estrangeiras (excluindo a Grã Bretanha) no primário e secundário, a percentagem de aprendizagem do inglês atinge os 97%, o francês 34% e o alemão 23%.
Perante todo o histórico aqui apresentado há que reconhecer que o inglês se transformou e se manterá como uma “Língua Franca” europeia e mundial.  Já demonstrei, em textos anteriores,  a minha paixão pela língua francesa. Acho que a nossa cultura só tem a ganhar com a sua aprendizagem mas isso não impede o reconhecimento da inevitabilidade de saber, falar e comunicar em inglês. O mundo é como é, a história tem caminhos e pegadas que não podemos ignorar.
Talvez o que haja a lamentar é a decisão britânica de sair da União Europeia. Eles passarão a falar menos cá dentro mas far-se-ão ouvir muito mais lá fora. Se tudo correr bem até essa anunciada saída. O que vai levar algum tempo e trazer muitos contratempos para a Europa e para nós.
Mantenhamos a nossa paixão pelo francês sem esquecer que a nossa “língua franca” e a dos nossos descendentes continuará a ser o inglês.
“Au Revoir” ou “Goodbye”, como quiserem!

Um pensamento sobre “Língua Franca

  1. Compreendi perfeitamente, o ressentimento de Jean Claude Juncker, quanto ao uso da língua inglesa, no relacionamento entre as nações que compõem a União Europeia. Muito naturalmente, o Reino Unido, deixará de ter a importância que tem, no seio da União Europeia ! Mas, será que este pensamento, é assim tão linear ? Numa primeira reacção, pensei que deveria ser esse o procedimento, uma vez que a língua inglesa, já não teria sentido, como língua corrente entre as nações da União, porque o Reino Unido deixará de ser uma peça importante. Uma atitude de reacção contra a proud of Mrs.Theresa May ! Mas, o meu raciocínio, dizia-me que estava errado…! De facto, hoje em dia, quando se pretende falar inglês, não é com a ideia de o usar apenas nas visitas aos velhos Pubs, ou nas idas aos teatros de Londres, e mais raramente citar poemas de Geoffrey Chaucer, Shakespeare, ou Lord Byron, como acontecia antigamente, apenas por gozo ou simples cultura ! O inglês, tornou-se em exclusivo, um veículo de entendimento entre as nações europeias, como se tratasse de um código de comunicação internacional, com a mesma força de uma linguagem gestual entre surdos-mudos, que só assim podem fazer-se entender. E se olharmos para fora da Europa, é essa a linguagem universal que prevalece. Estou certo, que Jean Claude Juncker, reconsiderou esse seu erro diplomático, como um desabafo ressentido, numa reacção ao Brexit, como eu e muitas outras pessoas teriam tido…!

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