ARTES…

O texto de hoje não é mais do que uma nota sobre notícias recentes, relacionadas com pinturas e livros. Não serão assuntos imprescindíveis mas julgo que, qualquer deles, merece um minuto de atenção pelo que, de formas tão afastadas e aparentemente incoerentes, nos podem alertar para o pulsar das sociedades nos domínios artísticos. Resta-nos fazer a nossa própria seleção e esquecer o que não nos interesse.

O primeiro apontamento refere-se a Julião Sarmento. Artista plástico português, nascido em 1948, em Lisboa, dedicou-se principalmente à pintura e adotou escolas de expressão contemporânea, bem coerentes com o seu tempo, embora se tivesse iniciado com os clássicos de que nunca se afastou. Iniciou verdadeiramente a sua atividade em 1970, ainda antes de acabar o seu curso na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1974. Tem hoje grande reconhecimento nacional e internacional, com exposições realizadas nos melhores museus de todo o mundo mas, além disso, foi reunindo uma coleção particular de peças de arte de enorme valor artístico. Peças que foi juntando, como diz na sua entrevista, pelo gosto das peças, pelos seus autores, pela sua ligação pessoal a muitos deles. Toda a sua coleção tem estado armazenada por sua conta em instalações próprias. As suas cerca de 1200 peças vão agora fazer parte de um novo centro de arte contemporânea a criar em Lisboa, num edifício conhecido como Pavilhão Azul, na Avenida da Índia, propriedade da Câmara Municipal de Lisboa e que será alvo de uma intervenção do arquiteto Carrilho da Graça. Julgo ser uma excelente iniciativa da Câmara e uma boa notícia para Lisboa e para o país. As peças lá reunidas são de diversos e famosos autores e o curador do museu será Sérgio Mah. O Pavilhão Azul receberá o nome da coleção, SILD, para nos intrigar, diz Julião.  Ficamos na expectativa de o ver acabado e aberto ao público, sem nos intrigar.

O segundo apontamento diz respeito às recomendações de Bill Gates para a leitura de cinco livros no próximo período de férias de verão. Todos conhecemos a extraordinária personalidade de Bill Gates e como ele e a sua mulher Melinda têm participado em ações de apoio à muitas instituições em todo o mundo. Não sei se a admiração que possamos ter por ele o poderá recomendar como boa referência para leituras mas, até por curiosidade, não nos custará muito olhar para as suas sugestões e descobrir se temos pontos de contacto semelhantes (exceptuando o do dinheiro, claro!). Diz que são  livros que o afastam do seu mundo habitual. Pode ser interessante.  Aqui vão as sugestões do nosso homem:

1 – A FULL LIFE – de Jimmy Carter. É o relato de uma improvável e difícil carreira desde a Geórgia rural até à presidência dos E. Unidos. Trata-se de um relato com bastante humor que talvez nos divirta.

2 – HOMO DEUS – de Yuval Noah Harari. Tenta demonstrar que os princípios que têm organizado a sociedade conhecerão uma profunda mudança no século XXI.

3 – THE HEART – de Maylis de Kerangal.  É um livro de ficção que conta a história de uns pais que decidem doar o coração da sua filha morta, a terrível dor por que passam, muito mais feita de poesia do que de narrativa.

4 – BORN A CRIME – de Trevor Noah.  A história emocionante de um jovem que nasce na África do Sul, no tempo do “apartheid” , filho de mãe negra e de pai branco suíço.

5 – HILLBILLY ELEGY – de J. D. Vance. O mundo desigual dos pobres brancos apaches e a sua luta tremenda pela qualificação na vida.
Talvez sejam dois apontamentos desnecessários mas julgo que inúteis não serão. À exposição do Julião Sarmento conto ir se, à data, ainda for vivo. Não garanto que leia os livros do Bill Gates.

Um pensamento sobre “ARTES…

  1. Talvez, a Internet me tenha roubado o tempo, de forma algo viciante, que disponho para a leitura. A curiosidade na procura de assuntos, tão postos à mercê da nossa mão, faz-nos esquecer o somatório de horas agarrados ao pequeno visor. É o progresso da ciência, de que já se tratou noutras páginas deste blog. Mas ainda bem que os livros continuam vivos, e o cheiro, que deles se expande ao abri-lo, não deixa de ser o seu melhor sinal de vida…! Como pretendia dizer, acabei de ler há tempos, Harper Lee ! Falecida, há alguns meses, ela deixou um dos seus mais preciosos contos : ” Mataram a Cotovia ” ! A sua forma simples de escrita e o ambiente de civilização, algo insalubre para a mente de um europeu, prende-nos da mesma forma que todos os outros escritores norte-americanos nos habituaram a apreciar. Aqui, a vida sulista do seu Alabama e todo o drama da dureza, da incompreensão e da intolerância das primeiras décadas do Sec. XX…! Da gentil lista acima descrita, há alguns livros que me interessam, por se adaptarem ao meu tipo de leitura. Fiquei com curiosidade, sobre todos eles. Talvez para iniciar, ” A Full Life”, de Jimmy Carter ! já que fiquei a pensar em sociedades sulistas…! E porque não, ” Homo Deus ” ? Uma boa sugestão…!

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