Ratzinger e Akihito

Porquê estes dois nomes tão diferentes e tão afastados nos seus ambientes de vida e, provavelmente, com objetivos tão divergentes? Parecerá estranho mas começo por dar a explicação que me pareceu mais simples: por serem, simplesmente, dois Homens. Vamos tentar discorrer um pouco sobre a personalidade de cada um deles.
O alemão Joseph Aloisius Ratzinger nasceu em 1927 e tem, portanto, 90 anos. Foi o Papa Bento XVI (o 265º papa da Igreja Católica) desde 2005 até 2013, data em que decidiu abdicar. É hoje Papa Emérito e Romano Pontífice Emérito da Igreja Católica. Justificou esta sua atitude dizendo que as suas forças, devido à idade avançada, já não lhe permitiam o desempenho adequado das suas funções. É um homem cultíssimo, professor doutorado, investigador, defensor de uma doutrina que a Igreja Católica sempre lhe reconhecerá. Apaixonado pelas artes é um excelente pianista com grandes preferências para Mozart e Brahms. É, enfim, um homem intelectualmente espartano e meticuloso, com uma acentuada cultura germânica.
O seu mandato papal, para além dos pontos altos que viveu, confrontou-se com as pobres realidades do Vaticano e, citando: “O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral, onde a cúria fomentava traições, delações, artimanhas e operações de inteligência para manutenção das suas prerrogativas”. Sim, claro, a idade avançada e o possível enfraquecimento terão respaldado a sua abdicação mas o ambiente negro do Vaticano, de que o mundo tomou conhecimento, terá sido a razão essencial do seu retiro. Talvez a “máquina” julgasse que tinha vencido o homem mas enganou-se, o Homem venceu.

Sua Majestade Akihito do Japão é o único monarca Imperador do mundo. Assumiu o Trono do Crisântemo, em 1989, como 125º Imperador do Japão, sucedendo ao Imperador Hiroito que foi figura polémica e fortemente zurzida pelas intempéries da 2ª guerra mundial.
Nasceu em Dezembro de 1933 (tem 83 anos) e o seu estado de saúde parece ser débil e preocupante. Sempre levou uma vida pública e privada muito discreta, gerindo uma herança muito difícil, mas sabendo escolher com sabedoria de homem culto o lado mais correto da história.
Cansado, quis abdicar. Mas a Casa Imperial do Crisântemo não prevê a abdicação. Foram os últimos governos japoneses que, reconhecendo as realidades da vida e do homem, conseguiram fazer aprovar os textos da casa Imperial de modo a prever e possibilitar a abdicação. Assim acontecerá no final do presente ano.
Eis aqui dois exemplos vivos da luta entre supremas instituições e os homens.
Por muito abrangentes e fortes que sejam essas instituições há Homens que pela sua natureza, pelo seu saber, pela solidez dos seus comportamentos, sempre conseguirão vencer essas tremendas batalhas. A História é pródiga em exemplos desta natureza mas estes dois casos, por serem coincidentes no tempo, apelam à nossa reflexão.
Num mundo tão diverso, tão escasso de seriedade, de honradez e de solidariedade, faz bem lembrar que o Homem pode lutar por ideais. Independentemente de estar mais ou menos elevado na chamada escala social. As ideias fizeram-se para serem defendidas e protegidas. Do diálogo nasce sempre a luz.
A Cúria e o Crisântemo foram vencidos pelos desejos dos Homens.

Um pensamento sobre “Ratzinger e Akihito

  1. De facto, dois personagens que marcaram bem a sua presença na vida internacional. Em funções diferentes, eles exerceram o seu poder com sabedoria, demonstrando uma personalidade de bondade e de disciplina, bem difícil de conseguir nos dias de hoje. Recordo-me muito bem das suas nomeações, as quais receberam as melhores saudações de todo o mundo…! Mas, recordo-me, desde a idade em que comecei a interessar-me por assuntos de índole universalista, de uma outra figura não menos pacífica, nos tempos em que se vivia de dúvidas e de insegurança…! Corria o ano de 1936. A época ainda do Fox Trot americano, e restos do Great Gatsby, invadia a Europa ! Tinha eu ainda os meus dois anjélicos dois de vida, uma paixão assolapada, revolucionou toda a Inglaterra e todo o mundo civilizado. Eduardo VIII, rei de Inglaterra, e chefe da Igreja Anglicana que por acaso, até proibia o divorcio, pretendia casar com uma plebeia duas vezes divorciada…! Ainda por cima americana ! Chamava-se Wallis Simpson…! Quem não se lembra deste nome e da sua figura elegante, tanta vez estampada nos jornais diários ? No meio de toda a polémica, Eduardo VIII, resolveu abdicar e viver a sua vida, apenas como Duque de Windsor, ao lado daquela mulher de uma sociedade mundana, que ninguém sabia da sua linhagem. Montes de lindas histórias nos jornais, de livros, lidos sofregamente por gente romântica, encheram as pequenas e grandes bibliotecas de todo o mundo. Eram tempos de incerteza política e de receios de uma nova guerra que se avizinhava rapidamente, a serem levados para segundo plano, quase esquecidos, mesmo que temporariamente, pela discussão apaixonada sobre duas pessoas que se amavam e entendiam fazer prevalecer os seus direitos.

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