Táticas terroristas

Não são novos os métodos de luta anti-terrorista utilizados em múltiplos cenários de guerra, em todo o mundo. Antes mesmo da prática anti-terrorista já se praticavam ações militares de ocupação de terras e regiões, já se flagelavam populações minoritárias que se opunham a conquistas ou colonialismos. Os militares de todo o mundo estudaram e conhecem as regras escritas. Aplicavam-nas com maior ou menor eficácia, mas os efeitos eram sempre mais ou menos os desejados. Foram e continuam a ser realizados cursos superiores de formação militar com toda a profusão, cada vez mais atualizada, de métodos e utilização de meios. Eles estão, aliás, à disposição para todos na internet.
Foi assim na antiguidade, foi assim, mais recentemente, nas guerras da Indochina, no Vietnam, no Afeganistão, no Iraque, em muitas colónias e países de África. O primeiro objetivo é atemorizar as populações, deslocá-las, obrigá-las a fugir e, se necessário, liquidá-las. Com estas operações começa-se a desacreditar os poderes instituídos, os governos, sejam ou não pacifistas ou beligerantes.
Se recapitularmos com atenção os milhares de casos que, nesse domínio, já se verificaram ao longo dos anos, encontramos sempre um denominador comum: criação de pontos de ignição de incêndios em triângulos estratégicos, incêndios que se propagam a velocidades incríveis, tirando partido dos terrenos envolventes, normalmente mato ou culturas não tratadas. A seguir, se necessário, vem o ataque e o combate. São operações militares típicas que, nos tempos que correm, já não podem ser desempenhados por militares. Os militares são agora protagonistas de ações de paz e bloqueamento de combates. A menos que os cenários sejam tipicamente de guerra, como se tem verificado, recentemente, em muitos pontos do mundo que não vale a pena recordar.
Mas o problema destas metodologias militares é que são, atualmente, do conhecimento de muitos estudiosos e autodidatas em todo o mundo, que os usam quando para tal são contratados e, claro, bem pagos.
Se fizermos uma breve revisão ao que se tem passado em numerosos e terríveis incêndios por todo o mundo, lá encontraremos os denominadores comuns de que falámos. Claro que há incêndios com causas naturais, mas há outros cuja geometria no terreno e periodicidade estratégica nos levam a suspeitar de causas externas. Por exemplo, entre nós, foi recentemente noticiada a prisão de 45 pessoas acusadas de, confessadamente, lançarem fogos em diversos locais do país. Depois há interregnos, apesar das mesmas temperaturas elevadas e do mesmo mau estado dos terrenos, e surgem apenas incêndios locais que os bombeiros e outras organizações facilmente contêm.
Mas a angústia do cidadão já está alerta para qualquer outra revoada aterrorizadora com explicações confusas e difíceis de entender. As entidades públicas começam a ser postas em causa. É preciso conhecer as razões, as similitudes e as origens de todos os incidentes que se têm verificado ou outros que possam vir a verificar-se. Sobre os que já foram presos não é muito crível que sejam todos pirómanos ou alcoolizados. Há comissões e inquéritos em curso nos quais todos depositamos muitas esperanças.
E seria muito bom que as conclusões não nos levassem à equiparação de tudo isto ao tipo das operações militares de que falámos atrás. Em França esta enorme preocupação está a ser estudada nos mesmos moldes.

Um pensamento sobre “Táticas terroristas

  1. Possivelmente, até estaremos a ser vítimas de um terrorismo, que silenciosamente nos vai atormentando a vida. E quem está dentro do assunto, até sabe muito bem como pode acontecer, com a técnica mais que estudada, por tantos anos de estudos estratégicos. Sempre ouvi dizer, que para haver um fogo, basta um cigarro e um palheiro. Mas, porque arde Portugal todos os anos ? E porque não se aprende nada com o ano anterior ? As perguntas são muito ingénuas, mas as respostas, não são nada fáceis de dar, dada a complexidade da situação do país rural ! Como vivo numa quinta, felizmente não muito grande, deparo-me todos os dias com uma realidade bem portuguesa. Uma legislação deficiente, quanto à limpeza das terras e das matas. Deficiente, quanto à limpeza das estradas. Deficiente, pela incúria das próprias autarquias.. Deficiente, quanto à responsabilização dos estragos causados a terceiros, pela não limpeza dos seus quintais, quantas vezes paredes meias com casas de outros vizinhos. O abandono das terras, é calamitoso ! As plantações de pinhais e eucaliptais, com fins lucrativos, passou a ser um jogo de Roleta Russa, para quem as possui, economizando na manutenção anual, durante o crescimento da floresta, se é que o tiro não saiu antes do abate das árvores. Nenhum país, como o nosso, se pode dar ao luxo, de manter a propriedade rural no estado de abandono em que se encontra, quando ainda importamos mais de 50% do que comemos ? A vida rural, transformou-se num barril de pólvora, e ninguém está atento, apesar da televisão mostrar tanta cara e tanta conversa, a sacudir a água do capote. Há cerca de mês e meio, escrevi uma carta ao Chefe dos Bombeiros Voluntários da terra onde vivo, sugerindo, que se fizesse uma campanha junto das vizinhanças, para levar as pessoas a limparem os seus terrenos e livrarem-se de dramas como os que temos verificado nos últimos tempos. Ao fim de quinze dias, recebi uma chamada telefónica a comunicar que a minha carta tinha sido reenviada para a Câmara de Loures. Muito bem ! Ao mesmo tempo escrevi à Junta de Freguesia, com o mesmo teor de argumentos. Até à data, nem um Olá, Bom Dia…! E tirando alguns casos bem sucedidos, que desconheço, o que se vê nas bermas das estradas, é uma ameaça à segurança das pessoas e das propriedades. E nos olivais por onde passamos ? Mato até à cintura…! O emparcelamento, sugerido por lei de há alguns anos, pelo qual ninguém perdia a posse das suas terras, apesar do derrube de muros de pedra solta, ficou em nada. Também não sei se daria algum resultado, embora se saiba que em França, no tempo de De Gaulle, a coisa deu o resultado que ainda hoje se vê, aquando do Tour de France em Bicicleta, ou mesmo circulando pelas estradas do interior. Todo o metro quadrado é cultivado ! E num país, pobretanas como o nosso, qualquer cigarro atirado intencionalmente se pode fazer terrorismo…! O mal está em aceitá-lo como uma inevitabilidade…!

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