O 6 de Junho, dia D

Frequentemente, por esta altura do ano, dou comigo a envolver-me em pensamentos do género, : e se isto não tivesse acontecido ? Como seriam as nossas vidas ? O 6 de Junho, da forma como ele é recordado ainda por alguns, talvez os mais velhos, passou a ser um  icon quase sagrado, de respeito e admiração, pela decisão de responsáveis políticos daquela época, e aquelas centenas de milhar de soldados ainda jovens das forças aliadas, amantes da liberdade, ainda alguns sobreviventes, que para a maioria, já pouco interessa, porque já é do passado. Apenas o presente conta…!

Por duas vezes, visitei a Normandia. Por duas vezes, me senti esmagado pela brutalidade que todo aquele panorama me fazia imaginar, num cenário de guerra, onde tombaram dezenas de milhar de homens. Senti por várias vezes, a comoção, as lágrimas que afloravam aos olhos, porque me sentia imaginariamente um companheiro, que apenas usufrui da liberdade que nos deixaram. Eles, estão ali sepultados, aos milhares, num longo campo verde, marcados pelas tradicionais cruzes de um branco alvo, com o silêncio de respeito e carinho de quem os visita…!

Muito tem andado este mundo e esta Europa, que se tropeça a ela própria, nas suas decisões, esquecendo-se que a sua liberdade foi devido à união de esforços de uma América, Inglaterra e França Livre,para expulsar a opressão e a injustiça. Esta Europa, que começou com a Comunidade do Carvão e do Aço em 1951, ideia concebida por Jean Monet e Robert Schuman, passou a ser um grupo de ricos que se abriu a seis, Comunidade Economica Europeia ( CEE ), depois a nove, a doze, a quinze até que a vinte e sete, onde já poucos sabem se querem ficar ou sair, sem se importarem que o mundo esteja diferente e a correlação de forças já não seja o mesmo de antigamente….!

Longe já vai o tempo, em que nos meus ainda incompletos dez anos, dava com o meu pai a escutar baixinho pelo rádio Zenith, ainda de válvulas, made in USA, as notícias da BBC, iniciado com aquele arrepiante tan tan tan Taan, seguido da voz de Fernando Pessa. Numa estante da sala, entre vários livros, a fotografia de Winston Churchil, imóvel e paciente, parecia também escutar os seus próprios discursos…! 1999-05 -França - Normandia)

 

 

 

 

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