SILLY SEASON?

É habitual nos meses de verão, geralmente coincidentes com férias, dizer-se que nada acontece de especial, nem cá nem no mundo em geral. Por isso os meios de comunicação social nos encharcam de futilidades e de notícias menores para, como se costuma dizer, “entreter o pagode”. Aparecem notícias bombásticas de pessoas que desconhecemos por completo e que se casam, umas, e outras se divorciam. Gente decerto simpática mas que a maioria do público desconhece. Outras vão fazer férias para locais paradisíacos, onde a maior parte dos mortais nunca irá, com despesas pagas, claro, pelas revistas que as publicitam. Entre nós, este ano, dois temas se destacam: o incêndio de Monchique (realmente uma infelicidade difícil de eliminar e que continua, ao dia de hoje, a progredir perigosamente em direção a povoações dispersas e instalações técnicas de retransmissão. A competência dos técnicos e a quantidade de meios postos ao serviço do combate não têm sido suficientes para fazer frente a dificílimas condições de propagação). Este caso merece notícia frequente, expondo a realidade e sem excessos de dramatismos que, muitas vezes, não se confirmam.  Mas, além de tudo isso, vem a procura denodada de locais onde haja incêndios por todo o país. Como eles acontecem sempre durante o verão essa procura é sazonal e desenfreada. Mas o facto é que têm sido logo debelados e, portanto, sobre eles não há notícias.

O outro tema é o do Sporting, assunto de levar à náusea qualquer tranquilo cidadão, mesmo que não seja adepto ou sócio do clube. No meu caso sou adepto e sofro com todas as incríveis bizantinices de que o caso se rodeia. É um tema menor, mas  quem viver ou tiver vivido as suas paixões desportivas entreolha-se, abismado, apreciando o carnaval dantesco que nos é oferecido à saciedade.  Como é possível a atividade desportiva ser arrastada para pântanos tão opacos e de tão difícil conclusão?…  De resto, passamos bem com umas vagas notícias do Trump,  do Maduro ou até  dos Gay Games ou Jogos da Diversidade de Paris, a que chamaram de Jogos Olímpicos  gay, sem que o Comité Olímpico Internacional esboçasse, até agora, qualquer manifestação de incompatibilidade com a sua Carta Olímpica. É isto que nos têm servido à mesa da comunicação social alegando que o mundo está quieto, está de férias e que nada mais acontece. É mentira. E, senão,  vejamos.

No Zimbabwe houve gente morta em manifestações contra o recente processo eleitoral que manteve no poder o anterior presidente que, como se verifica, não gosta de ter oposição.

O Sr. Trump declarou o Irão como o seu inimigo número um. As sanções e as disputas vão continuar com o patrocínio de alianças e amigos ocultos.  Mas ainda o Sr. Trump ameaça interromper a sua governação se o Congresso não aprovar o financiamento total para a construção do muro-fronteira com o México. E, por outro lado, mantém acesas as graves discordâncias com a Turquia que, embora não seja “flor que se cheire”, talvez devesse ser motivo de mais cuidada diplomacia internacional.

Por todas estas razões terá lugar uma reunião dos D10, em Seul em Setembro, (America, Grã-Bretanha,França, Alemanha, Italia, Canada, Japão, Australia, Coreia do Sul e União Europeia) para discutir o papel global da América. Esta reunião é uma iniciativa da Ordem Democrática, criada a 23 de Junho, em Berlim, para reanalisar e defender o funcionamento das instituições democráticas em todo o mundo.

Ainda podemos falar da paz recentemente obtida e negociada entre a Eritreia e e a Etiópia, podemos sempre falar das complexas e quase ineficientes negociações do Brexit, do já óbvio fenómeno de aquecimento global (a coisa por cá também já se sente…) ou, ainda, das primeiras tentativas para derrubar, à força, claro, o louco Maduro da Venezuela (a fome, às vezes, tem efeitos aterradores).

Para além de muitas outras coisas que poderíamos relatar é fácil perceber que, como dão a entender os nossos “media”, nada se passa no mundo nesta época estival. A chamada “silly season”. Já há muito que me convenci que a nossa comunicação (como muitas outras por esse mundo fora) é que é “silly”.  Mas se é para nos entreter, está bem, a gente compreende, mas é bom não esquecermos que, durante quase 50 anos, fomos tratados assim. Por isso não nos deixemos enganar. Há muita coisa a passar-se cá e no mundo pela qual nos devíamos, realmente, interessar. Cuidado com a “silly season”!

3 pensamentos sobre “SILLY SEASON?

  1. Tens toda a razão : os critérios editoriais dos nossos meios de comunicação social são muito “silly” !
    Tirando o terrÍvel incêndio de Monchique, os temas com mais tempo de antena são os relativos ao Sporting e às movimentações e estados de alma de futebolistas.
    Aliás eu, que gosto de jogar futebol e, durante a época, jogo um bocadinho antes do treino de esgrima,
    deixar de considerar o futebol profissional um desporto. Para mim é uma actividade económica que movimenta muitos milhões e que tem por base um jogo chamado futebol

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