DESERTIFICAÇÕES

 

Há já muitos anos que o fenómeno da desertificação do interior do país preocupa os governos e as comunidades de uma forma geral. Temos assistido ao fenómeno social e demográfico de, por um lado, a emigração ter aumentado, por outro, a migração de pessoas saindo no interior terem-se deslocado para as cidades e vilas do litoral ou mais importantes.  Porque é por lá que se têm instalado as empresas, as indústrias, as linhas de circulação e aquisição de bens. Tem havido, é justo dizê-lo, uma certa inversão nesse processo e, portanto, uma visível melhoria da qualidade de vida nas terras mais pequenas do interior. Cada vez que qualquer dependência de serviços públicos encerra ou se substitue por dependências improvisadas, as populações agitam-se porque perdem alguns traços de ligação com a comunidade e com o exterior. Só o desenvolvimento tecnológico e a modernização dos sistemas de comunicação podem, a prazo, vir a suprir as faltas  que, nestas fases, se fazem sentir. A renovação das gerações e os novos impulsos para os investimentos nas zonas mais rarefeitas poderão trazer o equilíbrio de que o país, sendo pequeno, tanto necessita.

Não se pense, no entanto, que esta situação é exclusivamente portuguesa.. Num recente estudo feito na Grã Bretanha verificaram que mais de 2000 aldeias ou pequenas povoações  correm o risco de ficarem “congeladas no tempo”.  As áreas de Cornwall, Wiltshire e Lincolshire são as mais afetadas pela desertificação e, de acordo com os planos estratégicos realizados, não se poderão expandir por evidente falta de acessos a serviços públicos e escolas.  O estudo denuncia que cerca de 16.000 comunidades com 3000 habitantes ou menos, integradas em 2154 aldeis ou vilas já terão caido na armadilha da sustentatibilidade. Cerca de 8% da população da Grã Bretanha vive em pequenas aldeias ou aglomerados.  Só com novos planos de desenvolvimento urbanístico, nem sempre possíveis, só com a criação de novas empresas e novos postos de trabalho, só com a integração de novas populações e, finalmente, de tudo o mais importante, só com muito mais educação  e cultura nos novos meios tecnológicos se poderá reverter o que, atualmente, parece irremedável. O famoso Brexit que anda a ser tão discutido,  terá que levar em conta estes aspetos tão fundamentais (mas, às vezes,  tão esquecidos nas grandes negociações) para que os cidadãos possam contunuar a viver com a paz que merecem.

O problema não é, portanto, só nosso. O que se passa na Grã Bretanha, passa-se também em muitos outros países europeus.  A Europa terá que olhar para todos estes casos, quando descobrir a fórmula para olhar bem para todas as coisas da Europa que idealizou. Duvidamos que tudo isto seja remediado nos próximos tempos mas já não é mau que tenhamos plena consciência deste enorme problema. E que não nos culpemos só a nós. Embora, num país com a nossa dimensão e com a nossa reconhecida capacidadade de adaptação, se possa pensar que, com inteligente orientação e boa utilização de recursos, possamos ganhar mais rapidamente o espaço que os maiores terão mais dificuldade em ultrapassar. Sejamos realistas, não desperdicemos recursos, descompliquemos as burocracias, aceitemos os imigrantes que connosco queiram viver e trabalhar e, sobretudo, estimulemos a educação porque só com ela, o progresso aparecerá. E há tanta forma de ir reduzindo a desertificação…

Um pensamento sobre “DESERTIFICAÇÕES

  1. Um assunto muito interessante e que deveria de ser mais discutido e analisado. Tratando-se de um interior abandonado, cheio de recursos e sem aproveitamento, qualquer país, por mais culto e desenvolvido que seja, estará sempre dependente de outros…! Além de outras actividades, a agricultura industrializada, poderia proporcionar, com o desenvolvimento dos seus próprios recursos, uma melhoria de emprego local e um atractivo sob diversos aspectos, puxando outras para as mesmas zonas, bem mais perto das matérias necessárias…! A própria Suiça, a Holanda e a França, são um belíssimo exemplo disso…! Por cá, já se pensou muito seriamente no emparcelamento de terras, sem se perder a posse da propriedade, emprestando a possibilidade de uma produção mais rentável. Mas, sempre a falta de informação e contra-informação do costume, aliada à falta de uma cultura associativa de um povo mal preparado, para um futuro de dificuldades que se avizinha…!

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