Pourquoi pas ?

O dia, começou por aparecer com uma ligeira neblina, que logo se dissipou, dando lugar a um dia bastante luminoso. Um vento ligeiro de pouca força, fazendo-se notar mais pelo frio que ainda vai restando do Inverno. O início do solestício de um Verão, que promete tanta preocupação, agravada pela anunciada falta de água.

Ao satisfazer um pedido irrecusável do meu neto, decidi acompanhá-lo de carro atá às bandas de Sintra, onde teria lugar uma entrevista para um estágio do seu curso de Mestrado. Após tê-lo deixado na morada sugerida, avancei até ao Clube de Golf da Beloura, decidido a esgotar ali, o tempo necessário, sem me criar aborrecimentos de espera. O acolhimento, igual a todos os clubes de Golf, torna-nos mais calmos, despertando em nós o prazer de um convívio, mesmo que de circunstância, dificilmente encontrado no dia a dia, de uma cidade cheia de efervescência, onde as pessoas se acotovelam sem se olharem.

Sentei-me no bar, saboreando um café, deitando o olhar para o verde de um Green, bem desenhado, em frente da sala vidrada onde me encontrava . Premeditadamente, tinha colocado alguns tacos e bolas na bagageira, não viesse depois a arrepender-me de os não ter trazido. O momento não era propício a um jogo, mesmo que solitário, nem a preocupação do telefonema do meu neto, me daria a despreocupação que um jogo exige. Decidi então bater algumas bolas no Driving Range, que poderia interromper a qualquer momento, sem prejuízo do prazer a que me propunha. Na recepção do Clube, no meio de atenções do pessoal, recebi indicações sobre a localização do campo de treino, exigindo-me a fazer o meu melhor. Um grupo de jovens da minha idade, também se preparava para iniciar um jogo bem mais apetecível, pelo ar risonho que apresentavam. Com a mesma facilidade de contactos habituais, seguindo uma ética já pouco vista noutros lados, olharam-me e perguntaram se também ia iniciar um jogo, ao que respondi ficar-me apenas com um bater de bolas e treinar um Putting no Green. No meio de sorrisos, a analisar quem era o mais velho ou o menos novo, afastámos-nos em direcções diferentes, com um até logo. Com uma pequena ginástica de aquecimento muscular e o início de um exercício ainda meio enferrujado de movimentos, comecei a bater as bolas com um Ferro 7, tentando melhorar o Swing e um correcto Backswing, seguindo-se a inércia descontraída do Followthrou. O voo alto daquelas minúsculas bolas, que nunca deixamos de seguir pelo ar, até ela bater no chão, rolaram até à marca de 100 metros. Talvez um pouco menos, para não cair em exageros, como se diz dos pescadores…! Seguiram-se outros lances, com Madeiras e um Driver, equilibrando o Address e o Swing ao comprimento da vara, evitando o desesperado batimento em falso no tapete ou um Plof. Esgotado o cesto de bolas, dirigi-me para o Green, com suaves inclinações a despertar o aperfeiçoamento da pancada ligeira e subtil, corrigindo o Stance do Putting, apontando cuidadosamente ao buraco atendendo às diversa inclinações do terreno. Uma operação tão diferente do enérgico Swing, e um forte Grip.

Acabada a entrevista com o meu neto, um toque de telemóvel, como era de esperar, veio dar o sinal de regresso a casa, onde nos esperava um almoço, já a apetecer…! Aquele ar puro, abriu o apetite. Para uma próxima vez, um pequeno jogo de 9 buracos ! Pourquoi pas ?

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