Outono

Após mais uns ameaços de calor infindável, a chuva deu o seu sinal de vida…! Contrariando um pouco, os receios de um alongamento do verão, miúda, refrescante, ela anunciou o Outono. Assim, bruscamente, sem grandes delongas. Eu diria, quase pontual…! Um cheiro maravilhoso, a folhas caídas e terra molhada, invadiu-nos o ar, fazendo-nos sentir o fim de mais uma época de sonhos, projectos ainda não realizados ou em vias disso. A nostalgia de momentos bem passados ou um projecto de um passeio que a chuva veio desfazer, e o aconchego de mais uma peça de roupa, que nos devolve a outros mundos já antes vividos.

É curioso, como nos habituamos a situações que nos levam a aceitar as mudanças cíclicas, mesmo que gostássemos mais de andar despreocupados, de manga curta…! E o Outono, é isso mesmo. Um convite a outro tipo de vida, mesmo que ela em nada se modifique, apenas na forma de gastar os dias, os meses e os anos.

Um bom cinema ou uma peça de teatro, um convívio diferente, fechado entre as quatro paredes de um salão, revendo velhas amizades. Talvez, conversando mais sobre a actualidade que nos preocupa ou entusiasma, , trocando as novidades mais em voga.

Mas o Outono, não será antes, a época da poesia, da saudade e da nostalgia que tanto inspirou escritores, poetas e músicos e nos emocionaram com as suas letras e melodias ? Eu estou em crer que sim, e é nele que me sinto à vontade, recordando os tempos despreocupados, consumidos pela alegria da nossa juventude…! Não é por acaso, que acordamos e nos fixamos numa melodia de outros tempos, que não nos larga o pensamento e só se esgota ao cair da noite, já cansados. E o Outono, este Outono que hoje nos abre as portas, trouxe-me à memoria, uma canção de Charles Trenet , que desde sempre, foi uma das minhas preferidas: ” Que reste t´il de nos amours ” …!
1
Ce soir le vent qui frape à ma porte
Me parle des amours mortes
Devent le feu qui s´éteint
Ce soir, c´est une chanson d´automne
Dans la maison qui frissone
Et je pense aux jours lointains.

2
Que reste t´il de nous amours
Que reste t´il de nos beaux jours
Une photo, vieille photo
De ma jeunesse.
Que reste t´il des billets doux
Des mois d´Avril, des rendez-vous
Un souvenir qui me porsuit
Sans cesse
3
Bonheur fané, chevaeux au vent
Baisers volés, rêves mouvants
Que reste t´il de tout cela
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé
.






4 pensamentos sobre “Outono

  1. Pois… eu não me lembro da canção de Charles Trenet, mas gostei muito do texto e sempre senti que esta passagem do verão para o Outono é propícia a vários estados de alma, pensamentos, nostalgias, recordações, e tanto mais… uma estação que mistura sentimentos e a torna mágica. Plimmm***** 🙂

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  2. Fico muito satisfeito, por saber que ainda vai havendo apreciadores de canções que nos diziam algo. Algo, que confluía com a sensibilidade de um mundo de esperança. Estaríamos nós errados, quando sabíamos, que já não era tanto assim, talvez mais virado para o sintetismo do moderno infinito ? E é a gratuitidade dos novos tempos, ( veja-se o caso da violência em Paris, as tatuagens medonhas, quase obscenas, a falta de gosto, os gestos e a linguagem libertina, ) que se cruza connosco todos os dias e nos fazem parecer ainda mais velhos do que somos, levando-nos à época em que pensávamos que tudo valia a pena…!

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