Quentes e boas…!

Tinha pretensões de revisitar Lisboa, numa pequena digressão, pelas habituais ruas da Baixa. Respirar os ares do Outono, que tanta vez me aflora à memória, de um ligeiro frio que me obrigava a aconchegar a roupa ao corpo, misturado com o fumo azulado, saído dos assadores de castanhas, confundindo-se com as neblinas do entardecer lisboeta, desta época. E como seria bom, rever Lisboa, numa das suas mais típicas ocasiões, se não fosse a persistência de uma chuva miúda a alterar o programa…! De molha-tolos, como ela era conhecida, acabando por nos encharcar os ossos, mesmo que usássemos as saudosas trincheiras, tão em voga naqueles tempos. E sobre esta gabardine, tão no estilo de Humphrey Bogart, no filme Casablanca, ainda hoje lamento, o desaparecimento de uma trincheira que eu gostava de usar, ainda a cheirar a novo, durante uma palestra sobre música de Jazz, na biblioteca da Embaixada dos Estados Unidos, que frequentava assiduamente, ao fim da tarde das sextas feiras. No bengaleiro, onde civilizadamente a tinha pendurado, junto de outras, no final, apenas residia um velho chapéu de chuva, abandonado pelo seu antigo dono…!

E Lisboa, cada vez mais bonita para quem a visita, a esconder o seu maior Centro Comercial ao ar livre, leva-me a repensar como nos tornava felizes, marcando encontros entre amigos e amigas para um pequeno passeio, ou apreciar montras, a convidarem uma entrada, como se no imaginário de cada um, estivéssemos à porta das Galeries Lafayette ou do Selfridge, da Oxford Street ! Talvez, a qualidade e as atenções, não fossem assim tão diferentes…! E muito menos, os preços oferecidos em época de saldos. Talvez, o não abandono, por outras preferências, tornasse Lisboa muito mais apetecível e mundana.

Como se discutiriam, hoje, os gostos, por umas gravatas de sêda italiana, expostas na pequena montra da Picadilly, na rua Garrett, ou as torradas com manteiga, da Benard e da Marques, ou ainda os pastéis da Ferrary, acompanhados de um bom chá de Ceilão, às cinco da tarde, cruzando olhares com outros habitués, já conhecidos de outras tardes de passeios ?

E eram essas, as redescobertas pretendidas, que a chuva miúda veio interromper, transferindo para outro dia, o que gostaria de ver, com as melhorias de nível de vida, sempre prometidas, se se pudessem multiplicar por todos os portugueses…! As castanhas, essas, sempre populares, estarão sempre a sair, quentinhas e boas, aquecendo-nos as mãos, meio enregeladas, do vento frio e húmido, vindo do rio Tejo, subindo as ruas da Baixa, até ao Rossio…!

Au revoir et à bientôt…!

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