ARGUMENTO PARA UM FILME

Tranquilizem-se os meus leitores: não estou a preparar argumento para nenhum filme. Não seria capaz de o fazer até porque, diga-se a verdade, acho o tema difícil demais e nunca seria tentado a fazê-lo. Mas o título que me assaltou, quase de forma irreprimível, tem a ver com tudo o que se tem passado à minha volta, à nossa volta, nestes tempos complicados de confinamento. Por um lado vêm os temas com que nos inundam diariamente; por outro, os velhos casos que descobrimos de nós próprios ou nos nossos velhos arquivos que, subitamente,  passámos a ter tempo para consultar e, finalmente, as recordações de amigos que já nos deixaram e que, pela lei da morte, se foram libertando dos atropelos por que estamos a passar. E este longo período de isolamento e reflexão obriga-nos, pelo menos no meu caso, a revisitar factos e acontecimentos   dos quais o “rame-rame” da vida nos tinha já afastado. Diz-se que a vida é assim, mas a vida, afinal, também pode ser revista,  lembrando-nos o humor ou o desconsolo de factos passados. E se juntássemos todos esses capítulos acabaríamos por ter um bom argumento para um filme, coisa que, como já adiantei, não acontecerá.  Vantagens dos blogues!…

Como talvez alguns dos meus amigos saibam fui, durante bastantes anos, profissional de cinema, na área da legendagem, e por isso a minha paixão pelo cinema, que já existia, se incrementou e permanece até hoje. Com muita frequência associo factos, atitudes ou pessoas com filmes que já vi e que arquivei mentalmente. Às vezes tem graça.

Um dos problemas que nos preocupa no meio de toda esta tempestade é o comportamento enviezado da União Europeia. O Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, vai, na próxima terça-feira, tentar convencer os “rapazes” do norte a aceitarem as medidas comuns que todos, principalmente os do sul, vêm reclamando. Para que deixem de pensar que, cá pela terra, gastamos o dinheiro em “meninas e copos”. Esperemos que se consigam coisas importantes e que não façam só coisas para “inglês ver”, para não termos que relembrar o que dizia o Príncipe Fabrizio de Salina, representado pelo Burt Lancaster, no filme “O Leopardo”: “Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma”. Infelizmente, pela nossa Europa já há países, como a Hungria de Orban por exemplo, que aproveitam a oportunidade para reforçarem os seus poderes, dizem que temporariamente, mas que todos apostam que esses poderes nunca serão devolvidos aos parlamentos. Tal como o Putin,  fazem-nos lembrar o “Z – Orgia do Poder”, de há muitos anos, com o magistral desempenho de Yves Montand. As lutas de Macron com os ingovernáveis franceses e as constantes peripécias entre derrotas e vitórias políticas traz-nos à memória  “O Último Tango em Paris”.  E o Trump nunca se livraria do cognome de “O Padrinho” nem Bolsonaro  o de “O Exorcista”. Mas não deixaria de parecer que viver sob este aparente dilúvio seria como  “Voar sobre um ninho de cucos”. Mas não, eu se agora tivesse que escrever um argumento para filme chamar-lhe-ia “Os 13 Indomáveis” , já com “cast” escolhido como se pode ver na foto seguinte. É esta gente que, verdadeiramente, mereceria um filme de louvor.

image_E998017F-AB68-430C-9540-8F088B245731.IMG_1434

Boas histórias e bons filmes.

2 pensamentos sobre “ARGUMENTO PARA UM FILME

  1. E não será só um filme. Como acontece sempre, os pormenores destas tragédias, são sempre multiplicadas e arrastadas por diversos episódios e em diversas línguas. O tipo de pavor, tão aproveitado por Alfred Hitchcok ou os romanceados de Billy Wilder, Francis Ford Coppola e Ingmar Bergman, além dos inesperados momentos como os de François Truffaut. De certo, que vamos ter os écrans, cheios de bons e maus filmes, com heróis ( eles, são verdadeiramente muitos, apesar de serem tão poucos ) e os acostumados maus da fita ( felizmente, muito poucos, a darem-nos volta ao estômago)…! Faltará talvez, a coragem de minha parte, para rever qualquer um destes dramas, sob a lupa cinematográfica. Talvez, um monumento, em bom mármore, de grande beleza e altura, para ser visto por todos, em que o sacrifício de quem luta pelos outros, e ainda os menos visíveis da investigação, sejam recordados e se homenageie o exemplar modo de viver, em alturas de crise humanitária…! Talvez, adaptando aquele discurso de Winston Churchill, # ” Nunca tantos deveram a tão poucos …” !

    Liked by 1 person

Deixe um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s