Golfe, um amor tardio…!

Não sei se o desejo de praticar desporto, ocorre na maioria das pessoas, da mesma forma que eu sempre senti. Não só pelo prazer da vitória, que nem sempre foi o meu caso, mas que nos demonstrasse, até onde as nossas faculdades poderiam ir, ainda que alguns receios de incapacidade. nos pudesse criar pequenos amargos.

Foi assim, praticando Volley-ball, em desafios entre colégios, com pequenas claques, encorajando-nos a sairmos vitoriosos, de uma competição, sem qualquer outra ambição que não fosse o de ganhar pontos, mesmo que saíssemos com os cotovelos esfarrapados, numa extrema defesa, com a bola quase a roçar o chão, elevando-a atá cair do outro lado da rede. Para gáudio de certos fanfarrões da época, o Volley, era jogo de meninas, o que não correspondia à verdade. Os tempos foram passando, e a vida foi-se tornando diferente, perdendo-se contactos e ganhando outros, preenchendo os vazios com novas experiências.

E a vela, como o ténis, gostos ainda um pouco adormecidos no subconsciente, embora os idolatrasse, começaram a formar corpo, no gosto pela aventura do desporto, concentrando-me mais na vela. A iniciação do gosto pela vela, começou na M.P., continuando, após um intervalo de alguns anos, com o Clube Naval de Lisboa, de que guardo belíssimas recordações de camaradagem. A compra do meu primeiro barco : Um Snipe, em madeira, e o Moth Europe, igualmente em madeira, e finalmente o 4.70 que tantos anos me acompanhou, até se tornar envelhecido. Os barcos também envelhecem…! As regatas no Tejo, Cascais, Vila Moura, Lagos e Monte Gordo, algumas vezes, já acompanhado pelos filhos, tornavam a Festa Náutica mais apaixonante, Era o prazer de dar resposta ao desafio, mais pela acção de praticar, até começar a saborear o gosto de ganhar, com ventos mais fortes ou de autênticas calmarias, que nos levavam a pormenores de navegação mais cuidada, fazendo tudo para reduzir os atritos, favorecendo o andamento, irritantemente lento.

Mas, a procura de novas aventuras, não para. As sugestões de novas modalidades, vão aparecendo, e novos gostos vão-se enraizando, enriquecendo as nossas experiências.

Recordo, um pequeno passeio que dei com o meu pai e um amigo, que nos levou ao Clube de Golfe do Estoril . Aquela paisagem verde, de contornos únicos, de que não se via o fim, do sítio de onde não podíamos passar, fixou-se na minha memória, num deslumbramento próprio dos meus catorze anos. Ficou um gosto adormecido por longos anos, que de vez em quando dava para temas de conversa com amigos, alguns já praticantes de há muito. Todos eles gentis, pelos hábitos de educação e cortesia, que mais tarde associei à maneira de ser de um verdadeiro golfista. Um mundo à parte ? Talvez, a etiqueta não tão rigorosa dos dias de hoje, os tenha influenciado, sem se tornarem snobs.

Há pouco mais de quinze anos, um amigo da família, já falecido, desafiou-me parta dar umas ” pancadas ” ( o termo habitual ), no Clube de Golfe de Castro Marim, Quinta de Cima e no Benamor, e ver o que saia daqui. O encanto, foi o mesmo que senti quando tinha aqueles aqueles catorze anos, como já o tinha sido na Aroeira, com outro amigo, que me disse, ter pés para andar…! E as experiências continuaram, com treinos de aperfeiçoamento dos movimentos e o bater da bola com mais firmeza. O rigor dos jogos, da etiqueta e o desafio, que eu sabia, nunca conseguir ganhar a um homem experiente de outros campos de golfe, incluindo de Moçambique, Rodésia e África do Sul. Toda esta iniciação, devo ao meu amigo Dr. Armando de Morais, já desaparecido, cuja amizade e cortesia, nunca esquecerei.

Os desafios não faltam. De um amigo da Suiça, que de vez em quando me telefona, para nos encontrarmos na Aroeira, onde vive os anos de Verão. Os torneios de séniors, promovidos pelo ACP, sempre muito concorridos e em festa. Mas, os meus quase 86 anos, parece-me que vão ficar pelo bater de bolas e o gozo de um pequeno passeio pelo campo, atrás de um a bolinha branca, com buggy, só para dizer que ainda por aqui ando…!

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