19/11 – DIA MUNDIAL DA SANITA

Nunca tinha dado pela celebração deste dia. Em boa verdade, se procurarmos bem, encontramos dias comemorativos para tudo mas este, confesso, tinha-me escapado. Descobri-o quando da leitura de um interessante artigo da Professora e Investigadora, Coordenadora do Portal da Língua Portuguesa, Margarita Correia, há cerca de 4 dias.

Chama-nos ela a atenção para a celebração neste dia 19 do “World Toilet Day” , reconhecido, inclusivamente pela própria ONU que , através do seu Centro Regional de Informação para a Europa Ocidental, apresenta uma mensagem do Secretário Geral da ONU sobre o assunto validando, portanto, a importância do tema e da sua celebração. Uma purista da Língua como a Professora Margarita Correia confessa humildemente a sua dificuldade em encontrar uma tradução portuguesa que exprima a plenitude do conceito incluido na designação original. Ao dizer-se, como se tem dito, “Dia Mundial da Sanita”, as pessoas poderão interrogar-se sobre o interesse de se debruçarem sobre o problema mundial das sanitas e a sua interferência na vida do mundo. É justamente aí que o problema se põe e se percebe a razão pela qual o tema deve merecer a nossa boa atenção. Há, por todo o mundo, muitos milhares de pessoas que não dispõem de instalações sanitárias adequadas e daí surge uma séria ameaça para grande parte da população porque, sem saneamento básico, é fácil a contaminação de fontes de água potável, rios, praias, terrenos agrícolas, espalhando doenças mortíferas em muitas regiões. Os documentos oficiais declaram que pelo menos dois mil milhões de pessoas em todo o mundo se abastecem em fontes de água contaminada por fezes e que cerca de 700 crianças com menos de 5 anos morrem, por dia, de diarreia por essas razões.

Segundo os dados disponíveis na Pordata verifica-se que em 1987 apenas 77% das habitações, em Portugal, dispunham de instalações sanitárias adequadas, tendo essa percentagem subido para 89% em 1997.

Por esta rápida abordagem a um tema que acaba por nascer na dialética da Língua Portuguesa (como traduzir o “World Toilet Day”) acabamos por cair no centro de um problema essencial com o qual o mundo se debate e de que as classes mais priveligiadas se distanciam ou ignoram. Mais do que encontrar a designação mais adequada em português para esta comemoração fundamental, é importante que o mundo compreenda o que está em causa com a deficiente propagação de instalações sanitárias, sanitas, banheiros ou vasos sanitários, conforme o termo utilizado pelos países que utilizam a Língua Portuguesa. É a saúde e a morte de milhares de cidadãos que está em causa.

Claro que o tema pode resvalar com muita facilidade para charlas humorísticas. Em diversas regiões do nosso país a crença na Nossa Senhora da Encarnação levou, há alguns anos, a que muitos meninas recebessem o nome de Encarnação. Claro que, passado algum tempo, os seus diminuitivos eram Encarnassita ou, mais abreviadamente, Sanita. Na adolescência todas elas tinham o cuidado de substituir o “petit-nom” por Nita o que era muito mais “asseado”, saudável e menos gozável. Conheço pessoas muito simpáticas e amáveis que sempre tratei por Nita sem conhecer as verdadeiras origens do nome.

Esta é a parte mais humorada e mais leve deste tema. Mas o assunto é sério. Para além da designação mais correta que se deve dar a este dia é fundamental que entendamos a razão pela qual foi criado este Dia de Celebração. E já agora aqui vos deixo um lembrete que recebi, hoje mesmo, de alguém que não esqueceu a importância do dia.

Estas são as dimensões de catálogo de sanitas que, felizmente, se encontram facilmente no nosso mercado. Um bom “World Toilet Day” !

Um pensamento sobre “19/11 – DIA MUNDIAL DA SANITA

  1. O World Toilet Day chama a atenção para o grande problema que é o da higiene. Muitos se preocupam com a fome no mundo, agora com as vacinas para todos, mas a higiene fica um pouco para trás . Sou daqueles que também pensa que a higiene é uma das grandes conquistas da nossa civilização.
    Mas pode ser motivo para discussão técnica se a sanita deve ser à europeia ou à turca (sem vaso para sentar). Em, tempos passados nas instalações do exército para praças, as latrinas eram à turca, alegadamente por “questões de higiene”. E numa viagem ao Irão, que fiz em 2015, verifiquei que nalguns restaurantes novos à beira da estrada, as instalações sanitárias eram individuais, mas comuns aos 2 sexos, à turca e dispunham duma mangueira com chuveiro. O sistema à turca não é de fácil utilização para pessoas de idade, ou com menos capacidade motora.
    Tens razão : a tradução para português é difícil. A língua inglesa é muito mais pragmática
    ( Não é conversa para salão de chá mas o assunto é sem dúvida muito importante)

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