A FESTA

Com tanta coisa importante e interessante para poder hoje abordar neste blogue, imagine-se que escolhi e  me dediquei a falar um pouco sobre um filme que vi ontem, “A Festa” , e que me lançou cogitações e desafios que não resisto em partilhar. Deixo para próximas oportunidades as tais coisas mais “importantes” que não perdem, por isso, os seus significados.

Como já sabem, gosto de cinema e, por vezes, vejo filmes que me tocam especialmente. Acredito e aceito que nem todos sejam da mesma opinião mas, enfim, também não fará mal dizer-vos a minha.

Não vou, claro, contar-vos o filme, mas apenas tentar transmitir um conjunto de factos surpreendentes com os quais somos confrontados durante a história e que, em minha opinião, podem ser muito aprofundados. O filme é aquilo a que normalmente se chama uma comédia dramática mas, espíritos mais avisados, vão percebendo que se trata mais de um drama do que de uma comédia. Houve na sala quem, gente da minha idade, se risse constantemente (de nervoso, segundo julgo) e, bem perto de nós, duas jovens mastigaram durante todo o filme, de boca aberta, de forma violenta e com pequenas graças de juventude, dois baldes grandes de pipocas que criaram alguns comentários aos seus vizinhos. Mas isso não foi nervoso, foi só falta de educação (e já teriam mais de 20 anos).  Passados estes comentários redundantes, vamos ao que interessa.

O filme é, deliberadamente, a preto e branco, o que mais enfatiza o clima de surpresas que se pretende criar. Estão ali reunidos sete atrizes e atores de primeiríssima qualidade (basicamente ingleses) que enchem a tela e, provavelmente de futuro, o palco, de magia insuperável. Numa entrevista que, entretanto, me dei ao cuidado de procurar no YouTube com Kristin Scott Thomas (do Paciente Inglês, lembram-se?) ela declara que o filme foi um choque para quem o interpretou e para quem o foi vendo.

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Bruno Ganz (fez de Hitler, lembram-se?) referiu a experiência extraordinária que viveu ao desempenhar o seu papel, uma personalidade especial inserida num meio intelectual muito hermético.  No fundo, tudo começa por uma pequena festa para comemorar a eleição de uma política a ministra-sombra da Saúde do seu partido. Os amigos convidados que se foram juntando, membros da “inteligência” universitária e intelectual, começam por revelar as suas já velhas amizades e as aparências exteriores que cada um deles nos vai dando de si próprio. Mas, como previu a já famosíssima autora desta obra, Sally Potter, as personalidades desconhecidas começam a revelar-se-nos e começamos a perceber  os intrincados relacionamentos que já existiam, há muito, entre eles. Alguns dos personagens, como nós, espectadores, também foram surpreendidos com essa rede de relações e daí o choque e a comoção de que fala a Kristin Thomas.

É uma história aliciante que vale a pena ser vista e, como se compreende, de que não posso descobrir mais nada. Fez-me lembrar um filme (uma obra prima teatral com a qual trabalhei há anos atrás) de igual qualidade, embora com temas aparentemente diferentes: “Quem Tem medo de Virginia Woolf”, lembram-se? São obras difíceis mas que se ajustam bem no panorama da “vulgata” cinéfila que nos entra pela casa dentro todos os dias.

Mesmo que não gostem muito de cinema ou teatro façam um esforço e vão ver. Talvez me venham a dar razão.  Bom, e nesse caso, não deixarei de ficar contente.

2 pensamentos sobre “A FESTA

  1. Ora, nem mais…! Um bom tema para conversa, que noutros tempos daria pano para mangas. E é surpreendente, como hoje pouco se fala ou se discute, o actor ou actriz, o realizador e a beleza dos temas, sempre tão vivido entre nós, cinéfilos inveterados…! Penso, que já aqui expressei o quanto admirava ir a uma matiné, e principalmente a uma soirée, como fazendo parte do nosso dia a dia. Como era bom, sair do cinema, satisfeito pelas muitas obras primas, projectadas naqueles grandes écrans., que nos levavam durante duas horas e meia, ao mundo da elegante fantasia, ou conviver com o drama de tantas histórias, bem adaptadas pelosos escritores da nossa época. Há já uns tempitos que não vou ao cinema, hoje, inundados daqueles vapores ” pipoqueanos “, em salas ” cubiculares ” e sons ” estrombofólicos “, que não há maneira de conseguir digerir. ( Desculpem-me estes três adjectivantes, que talvez um dia venham a ” enriquecer ” os nossos dicionários ). Gostei muito do assunto e fiquei curioso acerca deste filme, que me vou apressar em ver, porque o cinema não morreu, como muitos pensavam que acontecesse…!

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