A comemoração, num beijo…!

Aquele beijo insólito, durante o festejo espontâneo da população de New York, exteriorizando a alegria pelo final da 2ª Guerra Mundial, teve sempre um impacto fascinante no acervo das minhas memórias…! A imagem de um povo livre e de espírito jovem, não tardou a inundar esta Europa que ainda se contorcia de dores e privações. A América, em Technicolor ou a Preto e Branco, representava sempre as cores de uma bandeira de liberdade, que flutuava ao sabor dos novos ventos, de uma democracia que ainda nos parecia distante.

Não obstante, não sentirmos na pele, o que foi o sofrimento e o medo de ouvir as sirenes a anunciar um próximo bombardeamento, por cá, ainda encolhíamos o estômago, contando as senhas de racionamento para certos produtos alimentares. Aos poucos, tudo se ia normalizando, com a entrada e saída de navios, já livres de encontros com a perversidade dos submarinos que rondaram as nossas costas, no intuito de vigiar e penalizar quem se atrevesse contrariar as leis da guerra. A neutralidade, nem sempre nos servia…!

O cinema e os sonhos de uma vida mais moderna, começavam a aparecer, juntamente com produtos made in USA, além dos filmes representados por actores nem sempre bons, sob o ponto da exigência de hoje, tornavam-nos fans, sempre desejosos de os ver num novo filme a anunciar…! Por toda a Europa, a indústria automóvel, renascia com modelos ainda modestos, com pouca evolução, em confronto com a indústria poderosa americana, ainda embalada por um esforço de guerra sem precedentes. Pelas ruas estreitas das nossas cidades, cruzavm-se limousines, de grande potência, divulgando as marcas tão apetecíveis de conforto e segurança. Eram os Chevrolets, os Dodges, os Fords, os Buicks e os Cadillacs a que lhes chamavamos de ” espadas “…! As tão desejadas máquinas de lavar roupa e frigoríficos, da Philco, Kelvinator e G.Electric, passaram a ser o sonho de muitas donas de casa. O American Style, entrava em tudo o que parecesse ser moderno e útil a uma nova vida mais prática, tornando-a mais livre.

O intercâmbio saudável, que logo começou a reaparecer, com a internacionalização das carreiras marítimas e da aviação de longo curso com grandes hidroviões , como o Clipper, da Pan American Airwais, fazendo escala por Lisboa. Aportando em Cabo Ruivo, fazia desta cidade uma escala apetecível, após longas horas sobre o Atlântico, apesar de os hotéis de luxo, estarem ainda confinados a uma élite, comparados com a actualidade…!

As Juke Box, que em troca de uma moeda, nos deliciavam os ouvidos mais jovens, com os discos de 78 rotações, oferecendo Swings e os Boogie Woogies, numa dança frenética, que bem poucos conceguiam executar.

A moda feminina das saias longas e rodadas, com sapatos de salto raso e soquetes, como se viam em muitos filmes, com actrizes a executar o papel de mais jovens. A moda masculina do penteado com popinha, e a dos Jeans, tipo western da Lee, a que chamávamos calças à Cowboy, sempre difíceis de encontrar fora das lojas da rua da Boa Vista, no Cais do Sodré, bem mais viradas para uma clientela internacional, ligada ao mar.

O que um beijo tornado icónico, daquelas duas personagens recentemente falecidas , pode representar ainda, para tanta gente que se lembra dos bons momentos de esperança vividos, novamente ameaçados, ainda que por uma minoria microcéfala e alienante, insistindo na intolerância e desprezo da dignidade da vida humana…!

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