PARTIDOS PAGÃOS-DEMOCRATAS

    A Europa Ocidental (excepto Portugal e Espanha), depois da destruição causada pela Guerra Mundial de 1939-1945 foi reconstruída graças aos esforços, quer económicos, quer sociais, dos governos de partidos sociais-democratas e cristãos-democratas . Durante 3 décadas, a par do enorme desenvolvimento económico, houve grande progresso social para todas as camadas da população e uma efectiva redução das desigualdades. Por medo do comunismo ou por genuína convicção de que o progresso e bem-estar deviam ser para todos , ou por combinação dos 2 motivos, desconheço. Não sei se os sociólogos e historiadores já chegaram a alguma conclusão.

Nos anos 80 do século passado, com Ronald Reagan nos EUA e Margaret Thatcher no Reino Unido começaram a ser postas em prática novas ( ou melhor dito antigas, arcaicas, obsoletas) ideias económicas conservadoras, que os economistas passaram a designar por neo liberalismo, e que tiveram como consequência o aumento das desigualdades,  que os ricos ficassem mais ricos e os pobres mais pobres. E esta mudança teve a aquiescência de governos de sociais-democratas e de cristãos-democratas dos outros países europeus.

Podemos pois dizer aqueles partidos se transformaram em PARTIDOS PAGÃOS-DEMOCRATAS visto que  passaram, em detrimento das pessoas, a permitir a adoração de novos ídolos:  o deus mercado, o deus ganância e o deus indiferença/egoísmo

De notar que não estou a condenar a existência do mercado. Estou a condenar a ideia de que o mercado é infalível como um deus, que não deve ser regulado como qualquer outra actividade humana, de forma a evitar o esmagamento dos fracos pelos fortes, o aparecimento de oligarquias que  controlem os preços. Estou a alinhar com os economistas que pensam que o mercado deve ser regulado de forma a servir produtores e consumidores.

Também não estou a condenar a existência de lucro nas actividades económicas, estou a condenar a obsessão por um deus ganância que leve a  sacrificar desnecessariamente os trabalhadores que contribuíram para a respeciva existência,  ou a onerar desmesuradamente a bolsa dos clientes e consumidores pela prática de preços demasiado altos.

E condeno a adoração do deus indiferença/egoísmo que leva à prática de actuações desumanas, indiferentes ao mal que possam causar às pessoas que trabalham na empresa ou aos seus fornecedores. Às primeiras obrigando-as a aceitar novas situações sem consideração pelo inicialmente prometido ou pelos seus sentimentos como seres humanos, sob pena de perda do seu trabalho ou descartando-as sem verdadeira justa causa e sem a devida compensação,  ao abrigo de legislações que os políticos pagãos mudaram. Aos segundos esmagando preços de aquisição ou dilatando prazos de pagamento que podem levar, ou levam, à inviabilidade da sua existência.

Apesar desta situação, com optimismo penso que aqueles ídolos irão ser derrubados e que voltaremos a ter uma economia de rosto humano que contribua para o bem-estar das pessoas e o enfraquecimento das correntes ditas populistas

F. Fonseca Santos

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